Bernard Schlink retorna em romance com Segunda Guerra como ponto chave

JB Online

RIO DE JANEIRO - Após O leitor, romance de 1995, que deu à Alemanha o maior sucesso literário internacional depois de O tambor, do nobel Gunther Grass, Bernard Schlink trata, mais uma vez, das cicatrizes germânicas da Segunda Guerra. E o conflito se torna um personagem ausente de um romance denso. Em A MENINA COM A LAGARTIXA, originalmente uma novela dentro do volume de narrativas breves intitulado Liebesfluchten (Fugas do amor), pintura, literatura e história se encontram. Ficção clássica e narrativa policial se combinam num enredo fulgurante, típico do autor.

Os protagonistas são, de algum modo, vítimas da sua época, uma geração urbana desorientada que cai repetidas vezes nas armadilhas do seu próprio passado. No centro da trama, um quadro. Uma menina e uma lagartixa: as duas se olham, mas não se vêem. A criança com um olhar perdido no infinito e o pequeno animal com os olhos vidrados, quase como mortos. Juntos, se tornam um dos mais importantes quadros do fictício pintor René Dalmann. Catalisador dos sonhos eróticos de um menino. Ecos de uma obsessão que perseguirá o homem adulto.

Seus amores fracassam porque as mulheres reais não são capazes de lhe dar aquilo prometido pela menina do quadro. Com um rosto de criança, mas o olhar, os lábios cheios, cabelos e ombros que desmentem a impressão geral e dão a seus contornos um ar mais maduro e feminino, ela representa o despertar da sexualidade. Mais: o quadro - única herança que o menino recebe do pai - esconde um terrível segredo de família.

Esta imagem, presa a parede do escritório do pai, acompanha o empobrecimento da família, o alcoolismo do pai, sua própria morte. A partir de então, o jovem herdeiro passa a desvendar, pouco a pouco, a misteriosa história da obra. Discórdia entre seus pais - a mãe acreditava que a menina retratada era judia - a pintura esconde os deslizes sexuais do pai, a fúria ciumenta da mãe e a possibilidade que o menino tenha sido gerado numa relação forçada entre pai e mãe.

Com precisão, Schlink descortina, em A MENINA COM A LAGARTIXA, um dos momentos históricos mais decisivos do século XX, e constrói uma fábula sobre as incertezas da vida: quem somos, de onde viemos, e como deve ser nossa relação com nosso legado.

O autor

Bernhard Schlink escreveu diversos best sellers, entre eles, O outro, A volta para casa e O leitor, que é, desde O perfume, o romance alemão mais aplaudido nacional e internacionalmente. Traduzido para 39 idiomas, alcançou o primeiro lugar na lista do New York Times e obteve grande sucesso no Brasil, figurando nas principais listas de mais vendidos. O livro ganhou uma adaptação para o cinema, que foi vencedora de um Globo de Ouro e um Oscar, com Kate Winslet e Ralph Fiennes nos papéis principais. Schlink é professor de direito e filosofia na Universidade Humboldt de Berlim desde 1996.

(Com informações da Assessoria de Imprensa)