Monobloco: Segundo lançamento não repete potência da batucada ao vivo

Nelson Gobbi, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - A ressurreição do carnaval de rua do Rio, que só em 2010 arrastou mais de 3 milhões de pessoas por todas as regiões da cidade, se confunde à história do Monobloco. O sucesso do grupo percussivo de Pedro Luís e cia, contudo, transcende os quatro dias de folia justamente por não se ater apenas ao samba e pela capacidade de absorver, via batuque, qualquer gênero musical. Os tambores antropofágicos do Monobloco recriam, em seu terceiro registro o segundo ao vivo forró, rock, funk, samba-enredo e marchinhas, de Luiz Gonzaga a Paralamas. O desafio, novamente, é manter no CD e DVD o mesmo clima de suas apresentações ao vivo, o que o grupo consegue cumprir em parte. A despeito dos problemas acústicos da Fundição Progresso, a casa da Lapa é ideal para mesclar o êxtase do público em um desfile de rua com o mínimo de condições técnicas para uma gravação.

Tim Maia é ponto alto

Após a citação a Smoke on the water, do Deep Purple, na vinheta Nosso batuque, a viagem do Monobloco começa pelo Nordeste, com os pernambucanos Luiz Gonzaga (Pagode russo) e Dominguinhos (Isso aqui tá bom demais) e uma das mais contagiantes composições de Zé Ramalho, Frevo mulher, chegando ao Rio via Martinho da Vila (Madalena) e Almir Guineto (Caxambu).

Na passagem do rock para os tambores, a geração anterior à de Pedro Luís se sai melhor que a sua própria, com arranjos mais criativos para Alagados (Paralamas do Sucesso) e Pro dia nascer feliz (Barão Vermelho) comparados aos de Girassol (Cidade Negra) e Pescador de ilusões (O Rappa), que pouco diferem das versões originais. O ponto alto vem com Tim Maia (Você e Gostava tanto de você) e o sambalanço de Bebeto (Segura a nega), faixas em que o Monobloco demonstra como qualquer música tem potencial para cair no suingue.

Em meio a tamanha Babel sonora, a participação de Elba Ramalho interpretando seus sucessos Eu só quero um xodó e Festa do interior acaba passando quase despercebida.

Dentre os altos e baixos do registro, o mais evidente é como o Monobloco ainda se ressente de um cantor com a potência vocal e o carisma de Sérgio Loroza, em que pese a vibração com que Pedro Luís, Fábio Allman, Renato Biguli, Alexandre Momo e Pedro Quental se revezam no microfone. Nada que abale o caminho que a formação traçou nos últimos 10 anos, como comprovam as 500 mil pessoas presentes em seu último desfile, domingo, no Centro.