Humaitá Pra Peixe arma a pescaria no Circo Voador

Luiz Felipe Reis, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Pescador de novos artistas e ideias, o idealizador do festival Humaitá Pra Peixe, Bruno Levinson, reinventou o formato de sua cria inúmeras vezes. Se em 2007 e 2008 apresentava 22 bandas espalhadas por mais de uma semana de programação, no passado, enfileirou novos artistas ao longo de um mês. Agora opta por menos água, além de seletos e graúdos peixes na rede. Realizada em apenas três dias e contando com 11 atrações a metade de versões anteriores a 16ª edição do HPP migra para a tenda do Circo Voador e dispensa o suporte de atrações paralelas, como talk-shows, workshops, palcos virtuais e conteúdo interativo na web.

Ao longo desses anos, experimentamos muito. Ano passado, foi o auge desse crescimento, com uma programação mensal. Mas eu tenho que encontrar novos desafios. Não tenho mais disposição para fazer uma programação diária em 30 dias. Foi muito trabalhoso...

O formato mais enxuto e direto três noites e apenas shows não dialoga em consonância com o discurso afinado com as tendência midiáticas e tecnológicas, que marca a sua trajetória como agitador cultural. E ele sabe disso.

O festival precisa ser reformulado, este é um formato em transição. Foi um ano de muito trabalho à frente da MPB FM, o que está me dando um prazer enorme. Organizei o Réveillon em Copacabana... Foi difícil conciliar os trabalhos, mas até o fim do ano pretendo lançar um novo evento, em que o show físico será apenas mais um ponto de encontro em meio a diversas atividades virtuais.

No próximo fim de semana, o HPP abre os trabalhos na sexta-feira, com Tono, Jonas Sá & Rubinho Jacobina e Maria Gadú.

O Tono não é subproduto de nada. Tem personalidade artística, e é isso que eu busco. Quando o trabalho tem carga autoral arrebata. É isso que arte precisa nos provocar.

No dia seguinte, Telecotecnofunk, Lia Sabugosa, Wado e Ana Cañas. E fecha o domingo com a revelação Sobrado 112, Dughettu, Márcio Local, Seu Chico e o pianista Vitor Araújo. Reconhecido e valorizado por capturar em seu pulsar as primeiras apresentações solo de artistas consagrados, como Seu Jorge, Marcelo D2 e Mart'nália, e por servir como trampolim para uma série de bandas independentes, Levinson não vê descolamento algum com a proposta inicial do evento a inclusão de nomes já em evidência, como Ana Cañas e Maria Gadú.

São novas cantoras, mas que compõem. Isso é que é bacana. A Gadú lançou o primeiro disco, e o fato de ela ter estourado não interfere afirma. Quero destacar a porção autoral que a tornou o maior destaque do ano passado. Ela e a Cañas, que é uma artista cheia de atitude, vão ficar. São transgressoras no meio de um mundo padronizado e politicamente correto. Eu aposto no potencial de artistas como elas.