Centro Hélio Oiticica abre a exposição 'Confluências'

Taís Toti, Jornal do Brasil

RIO - O que é vídeo? O que separa a escultura da instalação? Essas perguntas não são mais necessárias, de acordo com o artista plástico Marcelo Lago e Ana Durães, curadora da exposição Confluências, que abre sábado no Centro Municipal de Arte Helio Oiticica. Unindo, no mesmo lugar, obras em vários tipos de suporte, a exposição quebra as fronteiras entre o fazer artístico, mostrando que não há mais limites entre pintura, performance, vídeo, escultura e instalação, para ficar nas manifestações artísticas contempladas em Confluências.

A arte contemporânea tem essa característica da convergência explica Marcelo Lago, artista anfitrião convidado pelo Centro Helio Oiticica.

A proposta é que Lago convide para a exposição outros artistas que o tenham influenciado de maneira fundamental.

Ele tem um trabalho que me encanta, como escultor, e é professor, tem esse lado didático, achei que era apropriado para fazer agora essa exposição, revivendo artistas que estão trabalhando e não tem espaço institucional para fazer uma exposição mais ampla das obras elogia Ana.

Um dos convidados de Marcelo Lago é Chico Fortunato, cuja escolha também foi baseada no carinho que o anfitrião tem por ele.

Escolhi o Chico por essa limpeza e pelo próprio fazer artístico dele, além da amizade que se criou entre nós destaca Lago. Foi quem me deu meu primeiro livro do Ferreira Gullar, isso é muito significativo. Ele é um colorista nato, tem o traço super exato, parece um cirurgião. Eu tenho isso mas sou meio porquinho, meu trabalho é mais violento.

Uma maneira mais direta de observar a influência de Chico Fortunato no trabalho de Marcelo Lago é através da forma circular, a qual este vem se apropriando em sua obra. Uma das duas instalações expostas Confluências, com círculos amarelos, é um exemplo de como Lago explora essa forma perfeita, de infinito, na sua plenitude ..

A exposição tem esse diálogo entre os artistas, os trabalhos, os conceitos, embora cada um tenha uma estética pessoal bem definida resume a curadora Ana Durães.

O outro convidado de Lago é Pedro Paulo Domingues, o primeiro artista com quem expôs, na década de 80.

Foi a primeira vez que tive contato direto com um artista totalmente conceitual, abriu uma porta muito grande para mim comenta Lago. Estava com a cabeça modernista, sou autodidata em artes e tinha as referências esparsas.

Confluências ainda reúne, no andar térreo, as obras do coletivo de Petrópolis Grupo Açúcar, constituído por Aldo Falconi, Denise Meyer, Fernanda e Pedro Lago, alunos (e filhos) de Marcelo Lago.

São trabalhos bem diferentes, a única coisa que eles têm em comum é que são obras que falam da vida deles, é quase autobiográfico detalha Marcelo Lago. Cada um tem a sua poética e eles usam linguagens extremamente contemporâneas. A preocupação deles é com o próprio mundo, o discurso gira em torno da visão deles no mundo.

No último andar do Centro Helio Oiticica, fechando Confluências, vão ser expostos os registros em vídeo e os resquícios físicos das performances que serão realizadas sábado, na abertura da exposição.

A exposição está muito harmoniosa, tem uma linguagem em que você percebe não só uma mistura de gerações mas uma mistura estética, que vira uma instalação comum. Entre as salas há o diálogo com os jovens e as influências dos mestres finaliza Ana Durães.