Jason Schwartzman vive um escritor fracassado em nova série da HBO

Taís Toti, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Homens encaram a realidade. Mulheres não. É por isso que os homens precisam beber . É com esta frase que George Christopher, editor de uma revista nova-iorquina, tenta consolar o amigo Jonathan Ames, que acaba de levar um fora da namorada por beber muito vinho branco e fumar maconha. A frase, como Ames logo lembra, é de seu livro, o único do escritor, que está travado na concepção do segundo romance. E é na tentativa de viver como os personagens literários que o fracassado Ames resolve trabalhar como detetive particular (não licensiado, como ele frisa). O escritor-detetive, vivido por Jason Schwartzman, é o protagonista de Bored to death, sitcom que estreia hoje no Brasil, às 22h, na HBO.

A série faz uso da imaginação para tornar realidade os sonhos do protagonista em se tornar um detetive. Ela que mescla comédia e ficção, numa trama engenhosa destaca Gustavo Grossman, vice-presidente da HBO.

Para além da trama de cada episódio, em que que Ames acaba, quase que por sorte, resolvendo os casos, após passar por situações que denunciam sua óbvia falta de talento, Bored to death conquista com os diálogos, que expõem todas as neuroses dos personagens. O livro Farewell, my lovely, de Raymond Chandler, que Ames carrega o tempo todo consigo como se fosse uma arma, leva o personagem a crer na fantasia de se tornar um investigador. O livro também é simbólico por representar, no título, a despedida do relacionamento com a namorada e também ser uma espécie de manual para detetives .

Jason Schwartzman encarna bem o papel do autor-investigador, talvez pela vasta experiência em papéis como perdedor. O ator também é responsável pela música de abertura da série, com sua banda Coconut Records (cujo único membro é ele próprio).

O escudeiro de Ames é Ray Hueston, quadrinista e motorista oficial das investigações interpretado por Zach Galifianakis (Se beber, não case). Mas quem chama a atenção é Ted Danson, que surpreende por deixar de lado o histórico de galãs para interpretar um velho inseguro que tenta desesperadamente buscar a juventude, seja fumando maconha ou procurando experiências bissexuais para entrar em contato com seu lado feminino .

Criador e produtor executivo da série, Jonathan Ames deu ao seu personagem não só o mesmo nome mas também a sua profissão: Ames (o criador) já publicou quatro romances. As semelhanças entre o personagem e o criador não param por aí. Até mesmo algumas cenas foram inspiradas em fatos que aconteceram na vida do escritor, como ele relata no blog que mantém no site do seriado: De alguma maneira baseei o começo do primeiro episódio em um término de namoro que tive alguns anos atrás. Minha namorada se mudou e nós contratamos a mesma empresa que aparece no seriado, Mioshe's . O autor da série acrescenta ainda que o caminhão de mudança usado no capítulo de estreia é realmente da companhia, e não um veículo arranjado pela produção.

Há de se torcer por mais experiências inspiradoras na vida de Jonathan Ames. Os roteiristas da série já se reuniram para escrever a segunda temporada de Bored to death, garantida para 2010.