Coluna Harmonia, por Rodolfo Valverde

Rodolfo Valverde, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Duas vezes Jocy

Grande dama da música brasileira contemporânea, Jocy de Oliveira comenta sua ópera Kseni, a estrangeira amanhã (20h), na Fundação Eva Klabin. O encontro é uma oportunidade excepcional de compreensão de seu trabalho musical e teatral. Na terça, ela fala sobre a obra de outro gênio, Villa-Lobos, através de cartas e gravações inéditas, na Academia Brasileira de Letras (17h30).

Notícias da OSB

A pianista-prodígio japonesa Aimi Kobayashi se apresenta com a OSB na quinta (20h) e no sábado (16h), na Cecília Meireles. Com 14 anos recém-completados e multipremiada, Kobayashi vem provocando sensação pela musicalidade e técnica impressionantes.

O maestro inglês James Judd, co-fundador da Orquestra de Câmara Europeia, é o convidado da OSB para reger um programa dedicado à Beethoven, onde entram a descritiva Sinfonia nº 6 (a Pastoral), a Abertura Coriolano e o Concerto para piano nº 1 em dó maior. Apesar do número, o opus 15 é o segundo concerto composto por Beethoven para piano e orquestra, aos 25 anos. Suas cadências causaram furor na estreia em 1798, executada pelo próprio compositor.

Falando em juventude, a OSB Jovem completa 10 anos de atividades e, regida pelo titular Marcos Arakaki, interpreta Bizet (suítes da ópera Carmen e L'arlesienne) e Johann Strauss, pai e filho, hoje no Teatro Carlos Gomes (11h).

Na Europa, o diretor artístico da OSB, maestro Roberto Minczuk, depois de estrear em Bergen e em Helsinki, rege as Variações sinfônicas sobre um tema original do compositor Almeida Prado, com a Orquestra Nacional de Lille, na França.

Clássicos no verde

Inspirado nos concertos parisienses Classiques au Vert, que acontecem em parques, o Jardim Botânico recebe o primeiro ciclo Clássicos no Verde. Concebidos pela pianista Lilian Barretto, a série recebe, de sexta a domingo, os pianistas Arthur Moreira Lima e Eduardo Monteiro, o Trio Caldi e o Quarteto da Osesp no Espaço Tom Jobim, com entrada franca. Moreira Lima (sexta) e Monteiro (sábado) interpretam composições que vão do classicismo vienense à produção moderna brasileira, passando por Claude Debussy. Já o Quarteto toca Puccini, Ravel e Villa-Lobos (Quarteto nº 5).

Celebrando Villa

O CCBB presta a sua homenagem a Villa-Lobos no cinquentenário de morte do maior compositor das Américas. Sempre às terças em dois horários (12h30 e 18h30), o ciclo celebra, a partir desta semana, quatro grandes paixões de Villa: o violão, as serestas, os choros e a educação musical infantil. Parte deste universo riquíssimo e plural estará presente em concertos realizados por artistas do quilate dos violonistas Turíbio Santos, diretor artístico do projeto, Fábio Zanon e Paulo Pedrassoli, do Trio Madeira Brasil e da soprano Carol McDavit, que se unem a ótimos intérpretes populares como Rafael Nogueira e Luis Claudio Muca. Encerrando, 30 jovens da orquestra do Projeto Villa-Lobos e as crianças, regidos por Sérgio Barboza, apresentam arranjos do Guia prático, a antologia do cancioneiro infantil compilada por Villa-Lobos e base de seu programa de educação musical.

Homenagem a Armando Prazeres

A Orquestra Petrobras Sinfônica celebra o legado de seu idealizador e criador, maestro Armando Prazeres, em três concertos especiais regidos por seu filho, Carlos Prazeres.

Raridades na escola

Duas raridades, uma absoluta, serão ouvidas nesta quarta na Escola Nacional de Música da UFRJ (19h30). Regidos pelo maestro mineiro Ciro Tabet, o Coral Brasil Ensemble, a harpista Vanda Eichbauer, o organista Eduardo Biato e o percussionista Tiago Calderano executam a Missa Sine Credo, do compositor Roberto Macedo, e os Chichester Psalms, de Leonard Bernstein.

Nos próximos sábado e domingo, na Sala Cecília Meireles, a orquestra interpreta César Guerra-Peixe (Tributo a Portinari), Vaughan Williams (The lark ascending, com o violino solista de Felipe Prazeres), Gabriel Fauré (Requiem) e o Improviso para cordas, de Armando Prazeres, composição descoberta pelos filhos do maestro após a sua morte, há 10 anos. O programa será ouvido novamente na terça, no Espaço Tom Jobim. No sensível Requiem de Fauré, a orquestra conta com a participação do barítono Marcelo Coutinho, do menino soprano Bernardo Francisco Speranza e do Coro dos Canarinhos de Petrópolis.