Com homenagens a João Cabral, começa a Fliporto

Philippe Noguchi, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Literatura

É num cenário de beleza e importância histórica incomensuráveis Porto de Galinhas, eleita pela revista Viagem & Turismo consecutiva a praia mais bonita do Brasil por nove vezes consecutivas e ponto de comércio de escravos ilegais no nordeste brasileiro durante o período colonial que começa nesta quinta-feira a quinta Festa Literária Internacional de Porto de Galinhas (Fliporto), que novamente promete voltar os olhos do mundo literário para a pequena cidade de Ipojuca, em Pernambuco.

Tendo a literatura ibero-americana como tema central, a festa A festa tem como grande homenageado o poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto, famoso por, entre outras obras, Morte e vida Severina.

Uma série de fatores motivou a escolha do homenageado da edição deste ano. João Cabral morou muito tempo na Espanha, o que se soma à efeméride dos 10 anos de sua morte. Teremos uma série de mesas em sua memória e também uma palestra com Antonio Carlos Secchin, um dos maiores especialistas de sua obra explica Eduardo Côrtes, produtor e organizador do evento.

Com o objetivo de promover uma grande confraternização entre os principais escritores ibero-americanos, a Festa trará shows, oficinas e filmes e oferecerá uma extensa série de palestras com convidados de peso. Entre os mais famosos estão a portuguesa Inês Pedrosa, o venezuelano Fernando Báez, os espanhóis José María Merino e Jorge Díaz e os brasileiros Laurentino Gomez e Arnaldo Antunes. O maior destaque, porém, é o escritor e jornalista uruguaio Eduardo Galeano, muito conhecido por sua relação com a cultura latino-americana. O autor do clássico As veias abertas da América Latina fará nesta quinta-feira a palestra de abertura do evento.

As publicações de Eduardo Galeano sobre o tema não param em As veias abertas da América Latina, há diversos livros posteriores que trazem essa questão à tona. É um nome fortíssimo dentro do tema que propomos avalia Côrtes.

A edição deste ano traz algumas diferenças em relação ao ano passado, a começar pelo número de autores convidados, bastante reduzido. Ao todo, são 42 autores de 9 países. Uma mudança que, segundo Eduardo Côrtes, diminui em número, mas acresce em qualidade.

Demos uma verdadeira enxugada na programação da Festa desse ano. Ano passado tivemos cerca de 180 autores convidados. Era impossível em apenas três dias de evento dar a eles a atenção que mereciam destaca. Tínhamos que dividir o público e muitos reclamavam, pois gostariam de estar em duas palestras que, inevitavelmente, ocorriam ao mesmo tempo.

A Fliporto deste ano também busca explorar aquilo que o antropólogo pernambucano Gilberto Freyre, em sua obra-prima Casa grande & senzala, já vislumbrava com clareza em seu tempo: a relação entre os povos colonizadores e colonizados. Essa ligação, segundo Eduardo Côrtes, não poderia ser melhor evidenciada senão pela literatura.

Porto de Galinhas é o palco ideal para um evento com esse tema. A Festa é certamente o maior evento cultural da cidade e já se tornou um dos maiores eventos literários da América Latina. Temos agregado qualidade ao turismo da região ressalta.