Caetano solta o verbo sobre Lula e fala sobre lei Rouanet

Portal Terra

DA REDAÇÃO - Aos 67 anos, o compositor Caetano Veloso concedeu uma longa entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo onde chamou o presidente Lula de analfabeto e declarou seu voto à senadora Marina Silva. "Não posso deixar de votar nela. É por demais forte, simbolicamente, para eu não me abalar. Marina é Lula e é Obama ao mesmo tempo. Ela é meio preta, cabocla e inteligente como o Obama. Não é analfabeta como o Lula, que não sabe falar, é cafona falando, grosseiro. Ela fala bem", disse ele ao jornal paulista.

No melhor estilo baiano do "morde e assopra", depois de chamar Lula de tacanho, Caetano elogiou a atuação dele como presidente e ponderou citando o atual governador de São Paulo, José Serra. "O Serra foi um excelente ministro da Saúde. Agora, ele é o tipo do cara que, se tivesse ganho no lugar de Lula, em 2002, teria trazido mais problemas à economia brasileira. Ele teria feito um governo mais à esquerda e a economia talvez tivesse problemas, que hoje não está tendo, porque o Lula faz a economia de direita. O Lula foi mais realista que o rei. Foi bom. A economia deslanchou." E arrematou dizendo: "Ter tido Fernando Henrique e Lula em seguida é um luxo. Saíram melhor que a encomenda, ambos."

Peguntado sobre aspectos da lei de incentivo à cultura, conhecida como Lei Rouanet, que promove o patrocínio de produções artísticas através de renúncia fiscal, Caetano tentou se esquivar ao declarar que se sentia inábil para analisá-la. "Não sou muito bom nesse negócio. Sou como umas moças que eram bonitas, apareciam nuas nos filmes e tinham de ter uma opinião política. Eu sou assim. Não sei se tem que mudar (as regras da lei). Mas repito: sou como aquelas moças. Não estudei direito."

Entendendo ou não sobre o assunto, em junho a empresária e ex-mulher do músico Paula Lavigne teria ligado para o também baiano e ministro da Cultura, Juca Ferreira, para pedir que o comitê responsável pela aprovação de incentivos da Lei Rouanet revogasse a decisão que negou ao projeto da turnê de Caetano Zii e Zie, que previa renúncias no valor de R$ 2 milhões, o direito de captar verbas com a iniciativa privada. Em 22 de junho, foi autorizado aos produtores de Caetano Veloso usarem os benefícios fiscais previstos na Lei Rouanet para bancar os shows. A informação foi publicada no Diário Oficial da União.