Festival celebra cinquentenário da morte de Villa-Lobos

JB Online

RIO - O Festival Villa-Lobos chega a sua 47ª edição e homenageia o cinquentenário de morte do maestro brasileiro, de 6 a 28 de novembro em espaços culturais como a Sala Cecília Meireles, Teatro Carlos Gomes, Museu Villa-Lobos, Cine Glória (Memorial Getúlio Vargas), Teatro do Jockey, entre outros. A obra do maestro Heitor Villa-lobos conduz toda a programação. O Festival é o mais tradicional evento de música clássica do Rio. Além de concertos de música sinfônica e de câmara, o festival também abre espaço à música popular, ao cinema e a espetáculos de dança. Entre os dias 10 e 13 de novembro, o Museu Villa-Lobos abre o II Fórum Aberto de Discussões com enfoque em educação musical. Outro grande incentivo ao público, além da qualidade da programação, serão os preços populares e atrações gratuitas.

A parceria inédita com a Sala Cecília Meireles

A SALA tem sido o palco de grande parte da vida musical do Rio de Janeiro, sobretudo este ano, em que não contamos com o Theatro Municipal, fechado para reformas. Pela SALA, foi programado para esta temporada, o ciclo Paris de Villa-Lobos, associando as homenagens aos 50 anos de morte do compositor ao Ano da França no Brasil. Os sete concertos concentram-se nas obra que Villa-Lobos escreveu, apresentou e ouviu em sua estadia em Paris, nos anos 20 e 30.

Com o 47º Festival Villa-Lobos ocorrendo na mesma ocasião, demos início a uma natural e entusiasmada parceria com o Museu Villa-Lobos para celebrar nosso compositor maior. Os ingressos terão preços simbólicos, para que muitos possam vir aos concertos e mergulhar nesse oceano sonoro e brasileiro que é a música de Heitor Villa-Lobos , explica João Guilherme Ripper, diretor da SALA.

Os dois eventos uniram-se num grande festival dedicado à memória do compositor, envolvendo o Ministério da Cultura, IBRAM, a Secretaria de Estado de Cultura, FUNARJ, a Secretaria de Cultura do Município, instituições francesas e o patrocínio da Petrobras e do BNDES. Serão 18 concertos na Sala Cecília Meireles com a participação de grandes artistas, grupos de câmara e três orquestras sinfônicas. Além disso, a Sala Cecília Meireles encomendou uma obra sinfônica ao compositor Ricardo Tacuchian especialmente para ocasião. Biguás , dedicada ao homenageado, terá sua estréia no concerto da Orquestra Petrobras Sinfônica, no dia 20 de novembro.

Essa grande mistura (na programação) é coerente não só com a própria personalidade e perfil artístico do compositor, sempre aberto às diversas manifestações artísticas, como também, com seus ideais, pois sempre foi um brasileiro extremamente atento às coisas de sua terra e à sua divulgação, onde quer que estivesse , exalta Marcelo Rodolfo, diretor do Festival.

HISTÓRIA

O Festival Villa-Lobos foi um dos pilares da administração de Arminda Villa-Lobos (Mindinha, segunda mulher de Villa-Lobos) frente ao Museu Villa-Lobos, visando a divulgação e permanência da obra do maestro junto ao público brasileiro. O sucesso de Arminda pode-se medir atualmente pelo interesse espontâneo do púbico em geral, e dos brasileiros em particular, na adesão às homenagens ao cinquentenário do falecimento do compositor , conta Turíbio Santos, diretor do Museu Villa-Lobos.

PROGRAMAÇÃO

As Integrais: duas delas, a dos 17 quartetos de cordas e a dos trios para violino, violoncelo e piano com dois dos mais destacados conjuntos do gênero do Brasil: o Quarteto Radamés Gnattali e o Trio Aquarius, e a da obra para violão solo com Paulo Pedrassoli, violonista dos mais respeitados da cena carioca que já gravou esse mesmo repertório em CD.

Panorama da Obra para Piano Solo: com Sonia Rubinsky (que, recentemente, lançou o oitavo e último volume da integral para piano para o selo Naxos, disco, aliás, que concorre ao Grammy Latino em 2009, Sergio Monteiro (que em 2008 lançou em CD uma brilhante versão das Proles do Bebê número 1 e 2 de Villa-Lobos), Flávio Augusto (vencedor do Concurso Internacional de Piano Villa-Lobos) e Maria Teresa Madeira (uma expert em música brasileira, com 11 discos gravados e dedicados à música nacional).

Paris de Villa-Lobos: Multifacetado ciclo de recitais e concertos sinfônicos e camerísticos que alinha o brasileiro aos grandes criadores de sua época que, como ele, viviam em Paris, como Igor Stravinsky, Francis Poulenc, Sergei Prokofiev e Florent Schmitt. Do elenco fazem parte o importante conjunto tcheco Trio Smetana e alguns dos mais talentosos conjuntos e instrumentistas do Rio de Janeiro e do país como o Quinteto Villa-Lobos, os pianistas Eduardo Monteiro, Linda Bustani, Sergio Monteiro e Sonia Rubinsky, as orquestras Sinfônica Brasileira e Petrobras Sinfônica, dirigidas por aficionados intérpretes villa lobianos como Roberto Duarte - profundo conhecedor e revisor da obra do compositor - e Ricardo Rocha - responsável por um memorável DVD dedicado aos Choros de Villa-Lobos. Contaremos, ainda, com a participação do jovem e ascendente talento da regência Marcelo Lehninger.

Programação infantil: um fim de semana dedicado às crianças com Ana Vitória Dança Contemporânea e seu espetáculo Cirandas Cirandinhas , o Coro Infantil da Universidade Federal do Rio de Janeiro e a Orquestra Villa-Lobos e as Crianças.

Navegando com Villa-Lobos: série de quatro shows inspirados no encontro acontecido à bordo do navio Uruguay do maestro inglês radicado nos EUA Leopold Stokowski com Villa-Lobos e diversos músicos populares brasileiros, como Pixinguinha, Cartola, Donga, a dupla Jararaca e Ratinho, João da Baiana e Luiz Americano, entre outros. Com Zé da Velha e Silvério Pontes, Joel Nascimento, Paulo Sérgio Santos, Monarco, Nilze Carvalho, o grupo Samba de Fato, Soraya Ravenle, Banda Anacleto de Medeiros, Xangai, Roberto Corrêa e o Rancho Flor do Sereno. Após os shows, os artistas Monarco e Xangai farão participação na apresentação do Grupo Samba de Fato, no Trapiche Gamboa, nos dias 11 e 18 respectivamente.

Lançamentos de CDs. Homenagens exclusivas ao compositor aparecem em três produções, sendo que três delas tornam evidente a maneira pela qual Villa-Lobos se serviu das raízes populares, trazendo de volta à música popular as melodias que o gênio criou. São elas: Villas' Voz , do contrabaixista Bruce Henri que imprimiu um surpreendente e sedutor sotaque jazzístico à música de Villa-Lobos, e Villa-Lobos, um Clássico Popular do Quinteto Villa-Lobos, conjunto que há 47 anos mantém seu alto padrão musical e o compromisso na divulgação da música brasileira. O terceiro lançamento, da Orquestra de Sopros da UFRJ, regida por Marcelo Jardim, traz um registro inédito ao público carioca da Fantasia em 3 Movimentos (Em Forma de Choros) e do Concerto Grosso .

Lançamento de livro. "Villa-Lobos Errou? Subsídios para uma Revisão Musicológica em Villa-Lobos" expõe e explica os procedimentos utilizados pelo maestro Roberto Duarte em seu incansável e fundamental trabalho de revisão da obra de Villa-Lobos. Nele, Roberto elucida, ainda, alguns métodos de criação musical do compositor, descobertos justamente durante o processo de revisão.

Relançamentos de livros. Tuhu, o Menino Villa-Lobos de Karen Acioly e Villa-Lobos: o Caminho Sinuoso da Predestinação de Paulo Guérios, são, cada um em seu gênero, duas importantes publicações. No de Karen temos uma deliciosa fantasia sobre Villa-Lobos, destinada a atrair o público infantil para a vida e a música do compositor; já o de Guérios (que dará uma palestra durante o lançamento) busca desvendar a iniciados ou não, algumas facetas que levaram o compositor a atingir sua glória.

Mostra de Filmes. Villa-Lobos, de fato, só conseguiu ver sua música nas telas de cinema apenas em Descobrimento do Brasil, épico de Humberto Mauro para o qual o compositor escreveu especialmente a trilha. Mas com essa Mostra pretendemos não só trazer ao público este, como também outros filmes de grandes diretores brasileiros que encontraram na música do compositor uma trilha sonora perfeita para seus trabalhos. Glauber Rocha aparece com seus Deus e o Diabo na Terra do Sol, Terra em Transe e Idade da Terra; Paulo César Sarraceni com o documentário Arraial do Cabo; Walter Lima Jr. com Menino de Engenho, Nelson Pereira dos Santos com Raízes do Brasil; Cacá Diegues com Os Herdeiros; e Joaquim Pedro de Andrade com o antológico Macunaíma. Teremos, ainda, o único longa-metragem biográfico sobre o compositor, Villa-Lobos, uma Vida de Paixão de Zelito Viana.