Diretores elogiam Rodrigo Santoro: ele é bonito e atua de verdade

Portal Terra

SÃO PAULO - Rodrigo Santoro está com a bola toda em Hollywood. Glenn Ficarra e John Requa, diretores da comédia I Love You Phillip Morris, elogiaram o talento do ator durante passagem por São Paulo.

- Ele é um cara muito bonito e realmente atua - disse Ficarra em entrevista exclusiva ao Terra nesta quarta-feira.

Depois de contracenar com Laura Linney em Simplesmente Amor (2003) e Gerard Butler em 300 (2006), Santoro agora bebe na fonte da comédia ao lado de Jim Carrey. Ele interpreta Jimmy, namorado do vigarista Steven Russell, papel de Carrey. Parte das cenas em que o ator aparece foram cortadas da versão para a telona. Apenas nos extras do DVD do filme poderá ser visto o tão esperando beijo entre Santoro e Carrey.

Segundo os diretores, o brasileiro foi escolhido mais por sua carga dramática do que pela beleza.

- No filme, quando vemos Rodrigo andando em Miami ao lado do Jim é supostamente para ser o estereótipo do garoto lindo latino. Mas, depois percebemos que há algo mais - explicou Ficarra.

E não foram só os diretores de I Love You Phillip Morris que ficaram satisfeitos com a performance do brasileiro.

- Antes de chamar o Rodrigo, conversei com David Mamet, que o dirigiu em Cinturão Vermelho, e ele foi só elogios - contou Requa.

Os diretores estiveram em São Paulo para acompanhar a exibição da comédia na 33ª Mostra Internacional de Cinema. O filme só chega aos cinemas brasileiros em abril de 2010.

Confira a entrevista com Glenn Ficarra e John Requa:

Quando vocês ouviram falar sobre a história de Steven Russell e Phillip Morris?

John Requa: Foi em 2003, quando lemos o livro I Love You Phillip Morris: A True Story of Life, Love, & Prison Breaks, de Steve McVicker. Glenn leu cinco páginas do livro, me ligou e disse: 'nós temos que fazer um filme disso'. Mas demorou um tempão para o roteiro ficar pronto.

I Love You Phillip Morris é o primeiro filme de vocês como diretores. Por que vocês decidiram dirigi-lo?

Glenn Ficarra: Porque era muito desafiador. Eu me identifiquei com a história, trata-se de um grande personagem procurando sua identidade. É uma história louca, difícil de se contar, por isso era tão desafiador.

Qual foi o maior desafio quanto a contar uma história de amor de duas pessoas do mesmo sexo?

JR: Tentamos tratar o filme como uma história de amor, não sobre o fato de ser gay. É a relação amorosa que interessa. Na época em que escrevemos o roteiro, eu tinha acabado de conhecer a minha mulher e eu tinha muito daquela loucura de estar apaixonado, então foi fácil escrever sobre isso.

Como Jim Carrey e Ewan McGregor entraram para o projeto?

JR: Nós havíamos terminado o roteiro e pensávamos em quem poderia estar no filme, então um produtor sugeriu Jim. Nós adoramos, mas não achávamos que ele toparia. Era uma sexta, então decidimos que se depois do fim de semana não tivéssemos uma resposta, íamos tentar outra pessoa. E Jim ligou na segunda dizendo que faria. Ele se identificou com a personalidade do personagem. Além disso, atores gostam de coisas interessantes e esse filme tem muito disso.

Por que e como Rodrigo Santoro foi parar no filme?

GF: Queríamos um ator latino, mesmo que o Jimmy de verdade não seja. No filme, quando vemos ele andando em Miami pela primeira vez é supostamente para ser o estereótipo do garoto lindo latino. Mas, depois, nós percebemos que há algo mais profundo nele. Steven Russell estava mentindo para nós o tempo todo, algo mais profundo aconteceu entre os dois. Além disso, Rodrigo é um cara muito bonito, algo que precisávamos no filme, e ele realmente atua.

Rodrigo Santoro fez algum teste para o personagem ou vocês o viram atuando em alguma produção? JR: Nós já havíamos visto Rodrigo em pequenos papéis em filmes falado em inglês e no momento em que o nome dele surgiu, lembramos dele. Achávamos que ele era perfeito, então fizemos uma pesquisa para saber mais dele e falei com David Mamet, que o dirigiu em Cinturão Vermelho, e ele foi só elogios.

Vocês gostariam de trabalhar com Rodrigo Santoro novamente. Há algum projeto para ele na cabeça de vocês?

GF: Nós adoraríamos. Oh Yeah. Nós sempre pensamos nele. Rodrigo está sempre na nossa cabeça. Nós queremos escrever algo para ele e eu brinco que vou escrever algo sobre alguém que ganha peso para que a gente possa vir ao Brasil e comer muito (risos).

Na versão de I Love You Phillip Morris para o DVD, nós vamos ver um beijo entre Rodrigo Santoro e Jim Carrey?

JR: Sim. Todas as cenas de Jim, Ewan e Rodrigo que nós odiamos ter tirado do filme estarão no DVD. Serão nove cenas e algumas delas que nós trabalhamos para caramba.

Alguma preferida?

JR: Há uma cena em que Jim e Ewan estavam em um barco no meio do oceano e há um furacão. Para gravarmos, nós usamos uma piscina gigante com ondas artificiais e uma máquina que criava chuva. Era noite e estava congelando. E por 12 horas filmamos a cena. Foi horrível. Infelizmente foi a primeira cena que tivemos que cortar.

O que vocês acharam da plateia brasileira? É diferente da americana?

JR: Os brasileiros são ótimos. Eles querem ser desafiados, temos que nos provar. Quando mostramos o filme em Sundance, tinha muita gente do ramo cinematográfico e a reação foi bem diferente.

Esta é a primeira vez de vocês no Brasil? Vocês tiveram alguma inspiração, para escrever um roteiro sobre o País?

GF: Nós vamos usar todas as desculpas possíveis para voltar ao Brasil (risos). E se for por causa de um filme, ótimo. Há milhares de histórias para se contar sobre o Brasil. E nós só conhecemos São Paulo. Queríamos ver tudo, Rio de Janeiro, já que o Rodrigo é de lá, e adoraria ir ao Amazonas.

Vocês tiveram contato com os verdadeiros Steven Russell e Phillip Morris?

JR: Nós visitamos Steven na prisão quando escrevíamos o roteiro para saber mais sobre a vida dele com Phillip, sobre a visão dele sobre o mundo, coisas assim. Como Phillip já saiu da prisão, Ewan McGregor até passou alguns dias com ele para compor o personagem.

I Love You Phillip Morris fala sobre loucuras de amor. Então contem qual foi a coisa mais louca que vocês fizeram por amor

JR: Eu me casei! Estou brincando...

GF: Eu não posso falar sobre isso (risos). Minha mulher está no computador o tempo todo, ela vai ler isso.

JR: Eu tenho algo, mas não é bem uma loucura. No primeiro encontro com a minha mulher, eu cheguei 30 minutos antes e fiquei no carro esperando. Eu não quis estar um minuto atrasado.