A partir de quinta-feira, obra de Villa-Lobos ganhará festivais

Bolívar Torres, Jornal do Brasil

RIO - A 12 dias do cinquentenário de morte de Heitor Villa-Lobos, as homenagens ao maestro se espalham pelos teatros, salas musicais e igrejas da cidade. Quinta-feira, começa o 47° Festival Villa-Lobos; já a partir do dia 14, na semana que marca os 50 anos sem o compositor, é a vez do Música Brasilis focar sua programação na obra do principal autor brasileiro, com o tema De Bach às Bachianas, que recupera as obras do artista e aquelas que lhe serviram de referência. Aproveitando as celebrações ao Ano da França no Brasil, o Festival Villa-Lobos terá em 2009 uma parceria com a Sala Cecília Meireles, exibindo o ciclo Paris de Villa-Lobos, com sete concertos que se concentram nas obra que o brasileiro escreveu, apresentou e ouviu em sua estadia em Paris, nos anos 20 e 30.

Para o Turíbio Santos, diretor do Museu Villa-Lobos, o simbolismo da data provocou uma adesão em massa do mundo musical, que resolveu unir forças para homenagear o autor das Bachianas brasileiras.

Há uma atenção enorme ao festival comemora. Diversos músicos e entidades o reforçaram, reunindo a totalidade da cultura musical. Está ficando algo grande e bonito, do tamanho do compositor.

Turíbio lembra a importância da capital francesa na carreira de Villa-Lobos, quando começou a tornar-se conhecido no mundo.

Ele era muito lúcido analisa. Queria mostrar sua música para uma plateia internacional e logo percebeu que o melhor lugar para isso era Paris. Não hesitou em ir para lá. Fez duas viagens que foram consagradoras, e que fizeram seu nome correr o mundo. Mas também foi nessa década em que consolidou um forte sentimento de brasilidade e reforçou amizade com intérpretes.

Para João Guilherme Ripper, diretor da Sala Cecília Meireles, a confluência do cinquentenário com o Ano da França no Brasil é a oportunidade perfeita para exibir compositores contemporâneos de Villa-Lobos em Paris, e cuja obra o influenciou ou foi influenciada por ele. Na programação, figuras que fizeram parte de seu círculo na capital francesa, como Sergei Prokofiev, Igor Stravinsky, Manoel De Falla e Edgar Varèse e Maurice Ravel.

Na vida musical dos anos 20, Villa-Lobos se tornou uma figura muito conhecida ressalta Ripper. Muita coisa altamente positiva aconteceu com ele.

O Música Brasilis (antigo festival Música nas Igrejas) também trará um repertório híbrido, misturando obras do próprio Villa-Lobos com os de compositores barrocos, importantíssimos para sua formação musical.

Como na série temos uma tradição de privilegiar igrejas e o repertório barroco, aproximamos a obra de Villa-Lobos com o de suas grandes influencias explica Rosane Lanzelotte, cravista e curadora do evento. Villa escutava Bach desde menininho, ouvia com familiares. A escolha do título Bachianas para o mais relevante ciclo de sua produção não é ocasional.

A abertura , dia 14, se dará com dois concertos simultâneos em igrejas vizinhas. O público presente ao Convento de Santo Antonio e à Ordem Terceira de São Francisco, ambas no Largo da Carioca, verá dois concertos: os músicos seguirão de um templo para o outro através de uma passagem reaberta depois de 200 anos. Antonio Meneses e Rosana Lanzelotte apresentam um programa com peças de Bach e Vivaldi; já o grupo liderado pelo violoncelista inglês David Chew traz um programa de Villa-Lobos.

Sou um apaixonado por Villa-Lobos, me mudei ao Brasil por sua causa conta Chew. Há todo um espírito brasileiro e humano em sua obra, que passa pela cachaça e pelo charuto. Tudo que ele fez, desde trabalhar com crianças a viajar pela Amazônia, também fiz. O engraçado é que Antonio Meneses e eu somos perfeitos opostos. Ele é o brasileiro que foi tocar Bach na Europa e eu sou o Europeu que veio tocar Villa no Brasil.