Matt Damon engordou 13kg e colocou próteses no rosto para novo papel

Portal Terra

LOS ANGELES - ''Esta é a primeira vez que faço uma entrevista com uma bolsa de gelo nas minhas calças'', disse Matt Damon recentemente, ao refugiar-se no conforto relativo de seu trailer no set de filmagem em uma Manhattan fria e úmida. A culpa era de um músculo distendido na virilha, que conseguiu durante uma manhã inteira de corrida pelas ruas de TriBeCa sob chuva torrencial para 'The Adjustment Bureau', um suspense romântico baseado numa história de Philip K. Dick.

Entre as filmagens, ele caminhava até um conjunto de monitores para assistir e conferir as gravações com George Nolfi, o diretor do filme. Nolfi, cujos créditos de roteiro incluem dois filmes de Damon, Doze Homens e Outro Segredo e O Ultimato Bourne, falou sobre o ritmo da sequência e a música que planejava usar para ela. Eles discutiram o impacto da porta batendo na parede. Damon sugeriu formas de orientar seu corpo em relação à câmera.

Detalhes importam para Damon, que montou um currículo impressionante com olhar de curador, abrindo caminho até o topo de Hollywood evitando as armadilhas costumeiras da carreira de uma celebridade. - Essa coisa de protagonista não desce bem para mim - disse. - Sempre me senti um ator de personagens incomuns - confessa.

Isso pode parecer falsa modéstia para alguém que, aos 39 anos, ainda precisa perder a aura de menino brilhante do papel que o lançou em Gênio Indomável (1997), escrito por ele e seu amigo de infância Ben Affleck. Mas a crescente variedade dos personagens de Damon e a facilidade quase perversa com a qual ele mergulha nos mesmos sugerem a sensibilidade ponderada e incansável de um ator que, nas palavras de seu frequente colaborador Steven Soderbergh, "está pensando em se expandir, ao invés de se apresentar como uma estrela de cinema".

No cruel estudo de personagem do filme de Soderbergh 'O Desinformante', Damon se transforma em um executivo flácido e delirante que expõe um esquema de fixação de preços no agronegócio.

Em Invictus, de Clint Eastwood, ele é o capitão de rúgbi ao qual Nelson Mandela confiou a missão de levar a glória unificadora do esporte a uma sociedade sul-africana pós-apartheid. E ele volta a trabalhar com Paul Greengrass, que o dirigiu em A Supremacia Bourne e O Ultimato Bourne, em Green Zone (estreia prevista nos EUA para março), no qual interpreta um suboficial em uma caça inútil por armas de destruição em massa no Iraque recentemente ocupado.

- Matt tem muito dessa de repetição - disse Soderbergh. - Isso é sempre um bom sinal. É a indicação verdadeira de como uma pessoa se sente, se ela quer ter a experiência de novo - acrescenta. Damon fez dois filmes com Gus Van Sant, três com Greengrass, cinco com Soderbergh (incluindo os três filmes de homens com segredos). Ele também já trabalhou com Steven Spielberg, Martin Scorsese, Francis Ford Coppola, Terry Gilliam e Anthony Minghella.

O que chama atenção na presença de Damon nas telas é sua fisicalidade inteligente, sua capacidade de comunicar pontos da trama e da psicologia do personagem através de mudanças sutis e precisas na expressão facial e no linguajar corporal, seja no papel de um Jason Bourne intimamente ferido, seja interpretando um Mark Whitacre sem graça, em O Desinformante.

Para O Desinformante, um tipo bem diferente de atuação física, ele ganhou 13,6 kg e teve seu rosto aumentado com próteses. O disfarce esconde "as fronteiras do personagem", disse Damon. "É tudo uma metáfora da indefinição desse cara". Morgan Freeman, que interpreta Mandela em Invictus, disse que Damon é, "como eu, um artesão", considerando isso um elogio. "Ele sempre dá conta do trabalho", disse Freeman. "Não há máculas em sua obra".