Som para todos, moda para alguns no Oi Fashion Rocks

Iesa Rodrigues, Jornal do Brasil

RIO - O espetáculo Oi Fashion Rocks, criado em Londres em 2003 para unir música e moda, cumpriu suas promessas pela metade na versão brasileira. A plateia que pagou no mínimo R$ 800 (R$ 580 pelo ingresso de arquibancada estudante) esperou no sábado até as 22h45 pelo começo do misto de show e desfiles na grande arena montada nas pistas do Jockey Clube da Gávea, e viu, ouviu, dançou e registrou tudo em celulares e câmeras digitais. Mas em matéria de moda, só quem estava nos espaços abertos no palco ou nas primeiras filas, com preços até R$ 4 mil (que incluíam um jantar na véspera, no Copacabana Palace) conseguiu distinguir modelos como Isabeli Fontana, Carol Ribeiro ou Grace Carvalho um elenco internacional que merecia ser admirado. Das roupas, apenas golas e decotes ganhavam segundos dos modernos telões de led, apenas quando passavam próximos dos cantores.

A parte rocks, no entanto, foi competente. Os rappers P. Diddy e Ja Rule levantaram a platéia e exibiram elegâncias masculinas de jaquetas estilo Perfecto, com muitos fechos. Wanessa (que aboliu o sobrenome Camargo na vida artística) cantou em inglês e português um tanto ininteligível; Geanine Marques e sua banda a Stop Play Moon, apenas em inglês, com boas guitarras. Daniela Mercury surpreendeu com a coerência de sua apresentação: abriu com típica música de ponto, da Bahia; continuou fazendo dupla com gravação de Carmen Miranda cantando O que é que a baiana tem? E fechou com frases de Cidade maravilhosa, enquanto passava a linda coleção de verão 2010 de Lino Villaventura.

Nos intervalos, a atriz e modelo Fernanda Lima saudou a presença do governador e do prefeito na platéia, comentou sobre as Olimpíadas de 2016, a Copa de 2014 e sua própria atividade esportiva quando criança e revelou que quem enfrenta as câmeras do fotógrafo Mario Testino, inevitavelmente acaba pelada nas fotos, sem saber como nem por que . Mario, um dos maiores divulgadores da imagem do Brasil no mundo da moda, foi agraciado com um premio entregue por Donatella Versace.

Se a moda de Marc Jacobs, Alexandre Herchcovitch ou Calvin Klein (assinada pelo mineiro Francisco Costa) ficou em segundo plano, a platéia se dividia entre fãs de Grace Jones, ícone de moda e música dos anos 1980 e os admiradores de Mariah Carey, a curvilínea loura que já vendeu 270 milhões de discos. Ambas cumpriram suas funções Grace cantou Slave to the rhythm, exibiu um corpo esguio e o rosto coberto por máscara dourada ou um chapelão recortado e divertiu o público, tremelicando o bumbum. Mariah usou vestido longo, estilo rabo-de-peixe, com decote tomara-que-caia que parecia literalmente fadado a cair.

Foi uma festa para poucos, com atrações paralelas como os carros novos da BMW, o Mini Cooper, os shampoos assinados por cabeleireiros internacionais para a marca Seda. A arena, uma montagem grandiosa, tinha interior com padrão Art-deco estampado pela equipe de Ronni Veloso. A coordenacão de moda ficou por conta de Paulo Borges, com styling por vezes equivocado da inglesa Katie Grand, que acrescentou cocares e esplendores de penas nos sofisticados biquínis e maiôs de Lenny Niemeyer. No final, Fernanda Lima anunciou que o Fashion Rocks 2010 será novamente no Rio. Para quem perdeu este, porque achou o ingresso caro, vale saber que do lado de fora do Jockey havia cambistas vendendo a R$ 20.