Vencedora do Nobel de Literatura, Doris Lessing completa 90 anos

Portal Terra

SÃO PAULO - Vencedora do Nobel de Literatura em 2007, Doris Lessing completa 90 anos, nesta quinta-feira, como um das autoras mais importantes da Europa. Batizada como Doris May Tayler, em Kermanshad, no Curdistão Iraniano, a escritora é a pessoa mais idosa a receber o prêmio na categoria e a 11ª mulher, em 108 anos de história.

Filha do capitão Alfred Tayler e de Emily Maude Tayler, ambos britânicos, foi educada na Escola Segundária do Convento Dominicano de Salisbúria, local que abandonou aos 13 anos, sendo autodidata em toda sua formação posterior.

Tinha constantes conflitos com a mãe, saindo de casa com apenas 15 anos. Começou a trabalhar como ajudante de babás em casas de família, momento em que começou a ler sobre política e sociologia, passando a escrever também.

Foi casada entre 1939 e 1943 com Frank Charles Wisdom, com quem teve dois filhos. Com o divórcio, começou a frequentar o Left Book Club, círculo de leitores de inspiração comunista, onde conheceu seu segundo marido, o alemão Gottfried Lessing, nomeado embaixador da República Democrática Alemã em Uganda, na África.

Seu primeiro romance é A Canção da Relva, em 1949, mas seu livro mais famoso, que a lançou como uma escritora consagrada, foi O Carnê Dourado, publicado em 1962.

Devido às campanhas públicas contra as armas nucleares e contra o regime denominado Apartheid, na África do Sul, Doris Lessing foi banida daquele país e da Rodésia durante anos.

Para demonstrar as dificuldades enfrentadas por novos autores que queiram ver os seus livros publicados, tentou publicar duas novelas com o pseudônimo Jane Somers. A obra The Diary of a Good Neighbour foi publicada em 1983, e If the Old Could, em 1984, sendo que no Reino Unido e nos Estados Unidos foram publicadas com o nome Jane Somers e republicadas como Doris Lessing.

Mesmo recebendo um prêmio de mais de R$ 2 milhões pelo prêmio Nobel em 2007, Doris contou em um programa de rádio, em maio de 2008, que o fato de ter recebido o Nobel tinha sido um "maldito desastre", afirmando que os constantes pedidos de entrevistas e sessões de fotos tiraram sua energia para escrever uma linha sequer.