Uma viagem na Brasília amarela dos Mamonas Assassinas

Taís Toti, Jornal do Brasil

RIO - A regra é manter o silêncio durante as sessões de cinema, mas vai ser difícil não falar ou melhor, não cantar durante a exibição de Mamonas Assassinas para sempre, o doc, uma das atrações deste domingo no CineBH. O filme lembra a história da banda que fez sucesso nos anos 90 com os hits debochados Pelados em Santos, Robocop gay e Vira-vira.

Tem o lado do resgate, para quem estava com saudade, e para quem conhecia o grupo mas não sabia muito sobre a história deles. Mas também é para a nova geração, que não conheceu a banda mas toca o CD em festinhas. Na verdade, os Mamonas Assassinas viraram um clássico afirma Cláudio Kahns, diretor do filme.

O projeto surgiu do desdobramento de outra ideia ligada ao grupo. Enquanto fazia uma pesquisa de roteiro para um longa de ficção sobre os Mamonas, o diretor decidiu entrevistar amigos, familiares e pessoas ligadas à banda.

Achei que seria legal gravar essas entrevistas com uma câmera, como registro, não com a intenção de fazer um documentário. Depois, vendo o material, achei que talvez ali houvesse a essência de um documentário. Fiquei trabalhando mais dois anos naquilo, procurando materiais inéditos que inicialmente iriam para o outro projeto.

A ficção Mamonas, o filme vai começar a ser rodada no ano que vem, com produção de Kahns e direção de Maurício Eça, enquanto o documentário deve chegar no circuito comercial no começo de 2010 tudo parte do Projeto Mamônico, que também terá conteúdo para internet e celular.

Além das entrevistas, Mamonas Assassinas para sempre, o doc mostra apresentações da banda em emissoras de TV e muitas gravações caseiras feitas pelo grupo.

Eles se filmavam muito, e aproveitamos bastante esse material. Tem muita coisa inédita, o próprio começo do filme, cenas que gravaram em Los Angeles, ou aqui no Brasil, num sítio.

A primeira banda de Dinho, Bento Hinoto, Júlio Rasec e os irmãos Samuel e Sérgio Reoli ganha destaque no filme que mostra como eles deixaram o rock mais sério da Utopia, como o grupo era chamado, para fazer o som irreverente e que explorava vários ritmos do Mamonas Assassinas.

Eles estavam ralando muito para viver de música profissionalmente, e tocavam um tipo de rock que era muito parecido com o que as outras bandas faziam. De repente, e por acaso, mudaram e fizeram essa coisa mais de brincadeira, que é a pura expressão deles explica o cineasta.

A morte repentina do quinteto, num acidente de avião em São Paulo, em março de 1996, é assinalada de forma discreta.

Abordo a tragédia muito rapidamente. Praticamente não quis explorar a morte deles, não era uma coisa que me motivava. A ideia é contar a história de uma banda que veio de uma cidade industrial paulista para um sucesso absoluto.

Cinema musical

Mamonas Assassinas para sempre, o doc engrossa a lista de filmes sobre músicos e bandas brasileiras lançados nos últimos anos, como Titãs - A vida até parece uma festa, Loki Arnaldo Baptista, Simonal Ninguém sabe o duro que dei, e Waldick, sempre no meu coração.

Há uma onda de documentários musicais. Coincidentemente ou não, muita gente resolveu se voltar para figuras importantes da área, com histórias relevantes ou polêmicas. À medida em que se aumentou a produção de filmes o setor musical acabou sendo contemplado.

Para Cláudio Kahns, os documentários musicais retratam e valorizam nossos artistas.

Eles estão mostrando como a música brasileira é multifacetada, tendo como objeto personalidades e estilos completamente diferentes. Isso é o Brasil, essa multiplicidade cultural.