José Joffily leva prêmio de R$ 60 mil no Festival Paulínia de Cinema

Daniel Schenker, Jornal do Brasil

PAULÍNIA - A entrega dos prêmios do 2º Festival Paulínia de Cinema foi inesperada. Duplamente. Em primeiro lugar pela vitória de Olhos azuis, de José Joffily; em segundo pela desorganização da cerimônia apresentada por Murilo Benício e Guilhermina Guinle. O júri praticamente dividiu as estatuetas Menina de Ouro entre Olhos azuis, filme que aborda em ritmo de thriller a via-crúcis passada por imigrantes latinos num aeroporto dos Estados Unidos, e Antes que o mundo acabe, de Ana Luiza Azevedo, simpático registro do rito de passagem de um adolescente numa cidade do interior. Cada um ganhou seis prêmios (contando com o da crítica, dado por jornalistas presentes ao festival).

Ninguém pediu para esse filme ser feito. Quero dedicar a vitória ao voluntarismo de todos os artistas destacou Joffily, ao final, ao receber o principal prêmio da noite, R$ 60 mil para Melhor Filme de Ficção. Entre os documentários foram contemplados o belo Só dez por cento é mentira, de Pedro Cezar, que desvenda para o público o poeta Manoel de Barros, e Herbert bem de perto, de Roberto Berliner e Pedro Bronz, centrado na carreira do músico Herbert Vianna, da criação do grupo Paralamas do Sucesso, na primeira metade dos anos 80, ao trágico acidente, em 2001, que vitimou sua mulher e o deixou paraplégico.

Estou envolvido com esse projeto há 27 anos. Herbert é meu amigo declarou, emocionado, Berliner, que vem registrando a trajetória dos Paralamas desde o início.

Nos quesitos relativos à atuação, o júri decidiu dividir os prêmios entre vários atores e atrizes. O diretor Luiz Villaça, de O contador de histórias, subiu para receber por Marco Ribeiro, Paulo Mendes e Cleiton Santos, intérpretes de Roberto Carlos Ramos. A estatueta de atriz foi para Cristina Lago (por Olhos azuis), Silvia Lourenço e Maria Clara Spinelli (ambas por Quanto dura o amor?).

Quando eu era criança sempre quis ter uma boneca e nunca me deram. Agora ganhei uma Menina de Ouro - comemorou Spinelli, atriz transexual do filme de Roberto Moreira.

Irandhir Santos, premiado como ator coadjuvante por Olhos azuis, também brincou com o nome da estatueta.

Já me sinto agraciado por exercer minha função. Agradeço ao festival por me fazer voltar para casa com uma bela menina afirmou.

Muitas das decisões do júri podem ser questionadas. Mas realmente problemático foi o caos instaurado durante a cerimônia. Vários prêmios acabaram sendo apresentados em conjunto, o que tornou difícil para quem estava na plateia perceber quem agradecia ao microfone. Os transtornos do encerramento, porém, não tiram a importância de um festival promissor como o de Paulínia.