Sons dançantes roubam a cena do maior festival de música da Europa

Rodrigo Ortega, Jornal do Brasil

GLASTONBURY - No festival de Glastonbury, que aconteceu no último fim de semana numa fazenda no sudoeste da Inglaterra, artistas que investem em batidas dançantes tiveram destaque entre as centenas de atrações divididas em 21 palcos e presenciadas por 177 mil pessoas. Os shows das bandas britânicas Klaxons e Franz Ferdinand e do rapper Dizzee Rascal estiveram entre os mais celebrados do evento. A maior sensação entre os artistas novos foi o pop eletrônico da La Roux. O destaque para os sons com groove foi reforçado pelas homenagens a Michael Jackson.

O rock clássico também teve espaço em Glastonbury. Depois da épica apresentação de Neil Young na sexta-feira, o americano Bruce Springsteen atraiu uma multidão no show de encerramento do palco principal, no sábado, com antigos sucessos como Thunder road e Dancing in the street, além de uma homenagem ao ex-guitarrista do The Clash, o finado Joe Strummer, em Coma girl. O domingo foi a vez do show de retorno dos heróis do britpop Blur, no seu primeiro grande show após nove anos longe dos palcos.

Mas uma atração secreta roubou a cena de outros grandes artistas que estavam na escalação do festival. Os ingleses do Klaxons apareceram no fim da tarde de sábado para um show que não estava agendado, no pequeno palco The Park. A suspeita de um show incomum já começou quando os roadies apareceram fantasiados de personagens de Alice no País das Maravilhas. Mas o espanto veio quando eles entraram no palco e o guitarrista Simon Taylor-Davis gritou: "Surpresa!"

Rock à Tim Burton

A banda subiu no palco com fantasias inspiradas em personagens dos filmes de Tim Burton, como Edward mãos de tesoura, A lenda do cavaleiro sem cabeça e Beetlejuice. A outra surpresa foram as músicas inéditas que a banda tocou, que provavelmente vão fazer parte do sucessor de Miths of the near future, um dos discos mais importantes de 2007, que marcou o início da onda new-rave.

O novo material tem guitarras menos pesadas do que os petardos Magick e Atlantis to interzone e um toque mais psicodélico e dançante. As músicas foram aprovadas pelo público.

- Ouçam, Glastonbury, esse foi um momento fantástico - comemorou Simon. No público estava a sua namorada, a brasileira Lovefoxxx, da banda CSS.

Outra banda que também está fazendo canções menos roqueiras é a escocesa Franz Ferdinand, que fez um show animado, apoiada nos hits Take me out, Do you want to e No you girls e no carisma do vocalista e guitarrista Alex Kapranos. Ele interagiu bastante com o público, e ainda se arriscou nos sintetizadores em algumas músicas novas. Em Lucid dreams, a banda apareceu com os instrumentos com luzes de neon, ajudando a criar o clima hipnótico da música.

Hits do verão

Mais cedo no backstage, Alex Kapranos foi um dos "tietes" que foi conversar com Elly Jackson, a nova sensação da música britânica, vocalista do grupo La Roux. Eles fizeram o show mais concorrido do festival, com um público que lotou o Dance Stage e ocupou um espaço ainda maior do lado de fora, bloqueando a passagem para os outros palcos. O clímax foi In it for the kill, que está sendo tocada o tempo inteiro em rádios e boates inglesas, provavelmente o grande hit do verão europeu.

Outro grande novo hit do festival é Bonkers, colaboração entre o rapper Dizzee Rascal e o DJ Armand Van Helden. O show de Dizzee também foi abarrotado, com um púbico bem jovem e com os versos complicados do rapper na ponta da língua.

Dizzee usou várias músicas conhecidas, como Paper planes, da MIA, That's not my name, dos Ting Tings, e Fuck the police, do Rage Against the Machine, como bases para seus versos. Ele ainda lebrou de canções como Billie Jean e Thriler, em mais uma homenagem no festival a Michael Jackson.

Homenagens a Michael Jackson continuam

Depois de cantores como Lily Allen, Lady Gaga e Pharrell Williams prestarem suas homenagens com roupas, discursos e covers, o vocalista Alex Kapranos fez uma homenagem diferente, bradando ao microfone a expressão "Shamone", corruptela de "come on" usada por Michael em hits como Bad.

O grupo formado por músicos de rua de vários lugares do mundo do Playing For Change, projeto multimídia que une estes artistas em gravações de vídeo e agora está promovendo encontros físicos inéditos entre eles, também fez uma homenagem emocionante a Michael no Jazz Stage, com um cover de Billie Jean que foi ovacionado pelo público.