OSB e a marca da juventude

Rodolfo Valverde, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - O francês David Guérrier participa de concertos no Rio

O jovem e premiadíssimo trompista e trompetista francês David Guérrier, de 25 anos, faz sua estreia no Brasil nos concertos desta semana (sexta e sábado) da OSB, regidos por Marcos Arakaki na Sala Cecília Meireles. Guérrier dá mostras de seu talento inequívoco, reconhecido internacionalmente, interpretando o concerto para trompa nº4, de Mozart, e o virtuosístico concerto para trompete criado no início do século 19 pelo pianista e compositor Johann N. Hummel, aluno de Mozart.

Os primeiros concertos de David Guérrier nos EUA, em 2004, foram saudados entusiasticamente pela crítica, enaltecendo sua musicalidade e sua técnica, conciliados em interpretações de sensibilidade, poesia e virtuosismo. Guérrier foi o mais jovem vencedor, como solista instrumental, do Prêmio Victoires de la Musique Classique, e o primeiro trompetista a ser laureado no Concurso Internacional de Munique desde 1963, ano que presenciou a vitória do grande Maurice André, mestre do instrumento. Como recitalista, camerista no quinteto de metais Turbulences ou primeiro trompista da Orchestre National de France, Guérrier segue uma carreira de ascensão internacional fulgurante.

Abre os concertos da OSB a famosa sinfonia nº 100, do mestre do classicismo, o austríaco Joseph Haydn. Marco do neoclassicismo do século 20, a primeira sinfonia do russo Sergei Prokofiev encerra o programa. Composta em 1817, a peça é chamada de clássica pela reapropriação, em uma linguagem musical moderna, da forma e estrutura do período clássico. Vívida e espirituosa, a primeira sinfonia de Prokofiev é uma combinação perfeita com a sinfonia de Haydn, estabelecendo o vínculo formal, e as distinções idiomáticas, entre dois momentos da história da música. Mozart e Hummel são importantes passos desta jornada. E Guérrier, um grande talento a conferir.

Mais juventude

Arakaki também promove a estreia na temporada da nova Orquestra Sinfônica Brasileira Jovem, interpretando a sinfonia nº 9 de Dvorák, hoje, às 11h, na Sala Cecília Meireles. Uma das sinfonias mais famosas do repertório, a nona de Antonín Dvórak foi composta em 1893, nos EUA, no início de um período no qual o compositor tcheco esteve à frente do Conservatório de Nova York. A sinfonia é uma carta musical do novo mundo, mesclando elementos musicais inspirados na música folclórica americana e na música eslava, e um híbrido de sentimentos: a excitação provocada pelo contato com uma nova cultura e a saudade da terra natal. O entusiasmo da peça inaugura uma temporada de concertos mensais com o grupo de jovens instrumentistas, um dos principais alvos do aporte financeiro do BNDES para a OSB.