Lily Allen celebra Michael Jackson

Rodrigo Ortega, Jornal do Brasil

GLASTONBURY - No Glastonbury, Lady Gaga também lembra ídolo

Mais de 177 mil pessoas estão enfrentando chuva e lama neste fim de semana para assistir aos shows de Neil Young, das bandas White Lies e Fleet Foxes, das cantoras Lady Gaga e Lily Allen, entre dezenas de outras atrações do festival de Glastonbury, na Inglaterra. O evento também está sendo marcado pelas homenagens póstumas a Michael Jackson feitas pelos artistas, organizadores e o público do evento.

Neil Young, que fechou a noite de sexta-feira, atraiu uma multidão para o Pyramid, palco principal do evento. O público aproveitou a trégua da chuva e cantou em massa sucessos antigos do roqueiro como Rockin' in the free world e Needle and the damage done.

Bem mais longe do rock idealista de Young, o pop debochado de Lady Gaga roubou a cena e atraiu o público mais jovem. Ousada, ela se apresentou com um vestido que imitava um globo de boate e deixava toda a calcinha à mostra. Mesmo no palco secundário do festival, ela puxou alguns dos maiores coros do dia com sucessos como Poker fac, Paparazzi e LoveGame.

Homenagens a Wacko

Entre as novas fãs da norte-americana Lady Gaga na beira do palco estava a inglesa Lily Allen, que havia se apresentado alguns minutos antes. Lily adotou um visual de cabelos platinados e vestidos decotados idêntico ao de Gaga, provando que a compositora de Poker face é a bola da vez no mundo pop.

Na manhã de sexta-feira, poucas horas depois do anúncio oficial da morte de Michael Jackson, camisetas com estampas em homenagem ao cantor já estavam sendo vendidas em barracas de Glastonbury. Alguns fãs levaram faixas e até se fantasiaram para lembrar o cantor. As tendas de música eletrônica e caixas de som espalhadas pela fazenda tocam durante todo o fim-de semana os hits de Jackson.

A cantora australiana Gabriela Cilmi foi a primeira artista a prestar sua homenagem, com uma cover de Billy jean. Lily Allen fez o seu set usando a tradicional luva branca de Michael.

O rapper Pharrell Williams, que se apresentou com seu grupo NERD, foi outro dos que prestaram homenagem ao cantor no palco.

Aquelas músicas eram tão incríveis. O que ele e (o produtor) Quincy Jones fizeram foi mudar a maneira que as pessoas enxergam a música afirmou Pharrell.

O criador e organizador do Glastonbury, Michael Eavis, também se pronunciou sobre a perda de Jackson:

Que figura lendária fantástica nós perdemos, do tipo que nunca vamos conseguir substituir, um expoente da música e da dança ao qual ninguém conseguiu se comparar lamentou.

Punk e folk

À parte das homenagens e acompanhando o contraste entre a chuva do início do dia de sexta, que deixou a fazenda onde acontece o festival coberta de lama, e o sol do final da tarde, que ajudou a animar o público, duas das bandas de rock mais esperadas também apresentaram climas opostos.

Do lado nublado, o pós-punk dos White Lies, com guitarras e temas pesados. Do lado ensolarado estava o folk dos Fleet Foxes, de Seattle, com harmonias vocais e arranjos acústicos bem mais suaves que os dos ingleses. Mesmo sendo bandas novas, ambas foram muito bem recebidas pelo público.

Outras bandas iniciantes também foram aprovadas pelos presentes em Glastonbury. No palco Queen's Head, bem menos que os demais, tocaram os londrinos do We Have Band e os Mojo Fins, de Brighton, com público receptivo ao seus novos sons. O folk rock do Stornoway dá suas caras hoje, no palco Avalon.

Outras atrações mais conhecidas deste domingo são os cantores Tom Jones e Nick Cave, as bandas Yeah Yeah Yeahs e Prodigy, além da atração mais aguardada do festival, que encerra a noite: a volta do quarteto Blur, na sua primeira grande apresentação depois de nove anos longe dos palcos.