Uso de Demerol, analgésicos e álcool pode ter matado Michael Jackson

Raphael Zarko, JB Online

RIO DE JANEIRO - A mistura do uso de Demerol, analgésico muito potente que é considerado "irmão da Morfina", usado geralmente para pacientes com dores crônicas - com álcool ou outros analgésicos pode ter sido determinante para a parada cardíaca que matou Michael Jackson. O astro da música pop mundial estaria viciado há algum tempo no medicamento, aplicado geralmente em pacientes com câncer, que sofrem de dores crônicas.

Ouvido pelo JB, o cardiologista e especialista em arritmia cardíaca Eduardo Saad disse que o uso regular e excessivo do Demerol com combinações de indevidas podem diminuir a respiração do paciente e podem levá-lo ao infarto. Michael Jackson teria recebido uma injeção de Demerol na manhã em que morreu. Ele foi atendido ainda em casa, mas já estava sem respiração. Ele chegou ao hospital em coma e não resistiu, morrendo na tarde de quinta-feira.

- Um medicamento potente como o Demerol, com mistura de outros analgésicos fortes e sedativos, tudo isso pode piorar, se usado em excesso, e causar uma parada cardíaca. O paciente também não pode beber álccol, porque se torna uma combinação perigosa, e diminui ainda mais , reprime a respiração. E claro pode levar à uma morte súbita por fibrilação ventricular (parada cardíaca) - explica Saad.

O Demerol pode ser aplicado por meio de xaropes, comprimidos e também por injeção (no pulso ou na veia), que torna o efeito mais rápido e diminui a dor.

- O uso de injeção vai depender da dor do paciente. Tem que ser aplicado por pessoas especializadas e com muito cuidado. Uma overdose de combinação de remédio é sempre perigosa. Mas a dosagem é individualizada, de acordo com cada paciente e de acordo com recomendação médica, evidentemente.

Médico está desaparecido

Nessa manhã de sexta-feira, policiais que investigam a morte de Michael Jackson foram à procura do médico que morava na casa do cantor. Ele ainda não foi encontrado, segundo o site TMZ. O médico estaria na casa no momento em que Michael sofreu uma parada cardíaca. A polícia quer investigá-lo. Fontes dizem que ele deu uma injeção em Michael antes de ele morrer.

A família do cantor teme que ele tenha morrido por overdose de morfina. Michael seria viciado em Demerol, um medicamento fortíssimo para dor.

Os rumores sobre a morte de Michael Jackson começaram a aparecer por volta das 13h (horário de Los Angeles), 17h em Brasília, quando uma ambulância foi chamada para socorrer o cantor em sua casa, no bairro de Bel Air, na cidade de Los Angeles. Momentos depois da chegada de Jackson ao hospital UCLA Medical Center, o site de celebridades TMZ publicou a notícia de que o cantor havia morrido. Em seguida, o jornal Los Angeles Time confirmou a informação. A morte de Jackson só foi oficialmente divulgada por volta das 15h (19h em Brasília), quando o Instituto Médico Legal da cidade confirmou a morte do ídolo pop.

O tenente Fred Corral, porta-voz do IML local, disse à rede de televisão CNN que Jackson foi declarado morto às 14h26 (18h26 em Brasília).

Segundo o tablóide inglês The Sun, Michael Jackson estaria usando analgésicos rotineiramente - entre eles o Demerol - desde a última vez em que foi às barras dos tribunais enfrentar uma acusação de abuso sexual, em 2003. Além do mais, ele sentia muitas dores e não vinha frequentando os ensaios da banda com regularidade para o seu retorno na turnê "This is It". Em 1997, Jackson fez uma música em que falava do remédio, cujo título era Morphine (morfina, em português). "Demerol/ Demerol/ Oh Deus ele está tomando Demerol", diz o trecho da canção.

Peritos da polícia de Los Angeles já estão fazendo a necropsia no corpo do astro pop, mas alertam que os resultados podem demorar semanas, já que somente exames nas vísceras podem dizer o quão determinante foi o consumo de medicamentos para a sua morte. O site TMZ informa que Joe Jackson, pai do cantor, recentemente quis internar o filho em uma clínica de reabilitação em Palmdale, Califórnia, por considerar que Michael estava viciado em morfina.

Nesta quinta-feira, um pouco depois de sua morte, o advogado e porta-voz da família Jackson, Brian Oxman, comentou à rede de televisão CNN que Jackson pode ter tomado uma grande quantidade de remédios antes de sofrer a parada cardíaca. Ele afirmou que esta era uma das hipóteses que a familia do cantor estava levantando sobre o que o levou à morte.

Segundo Oxman, Michael fazia mesmo tratamento com medicação como parte da preparação para a turnê que começaria em julho.

Com agências.