"Transformers: A vingança dos derrotados" é um espetáculo patético

Carlos Helí de Almeida, Jornal do Brasil

RIO - Mais arrastados, barulhentos e aborrecidos, os robôs mutantes de Transformers retornam às nossas sofridas telas para arrancar mais uns trocados dos incautos. Novamente, o nome de Michael Bay, um dos mestres da falta de sutileza entronizado em Hollywood, está na condução da empreitada, que promoveu antigos e inofensivos brinquedos (carros que se metamorfoseiam em robôs gigantes) numa das mais rendosas franquias cinematográficas do planeta. Aqui, a debilidade da história cheia de furos, incoerências e dilatações temporais desnecessárias e a limitação das performances dos atores são encobertas por excessos de todos os tipos: sonoros, visuais e, principalmente, de metragem.

São quase duas horas e meia de um espetáculo de gosto duvidoso que pretende reavivar o interesse do espectador por uma rinha entre duas espécies de autômatos os Autobots, os bonzinhos, e os Decepticons, os malvados pelo domínio da Terra. Reza a lenda criada na época em que os brinquedinhos viraram série de desenho animado, nos anos 80 que, embora assumam a forma de instrumentos criados pelo homem, tais criaturas vieram do espaço sideral. Derrotados no episódio anterior, agora os Decepticons articulam uma vingança definitiva contra Autobots e toda a humanidade. O duro é ter que aguentar a longa execução de um plano que parece não ter pé nem cabeça é tudo uma questão de distrair a atenção da platéia com correrias vertiginosas, sons estridentes e colisões monstruosas.

Se a regra é manter a cabeça do espectador ocupada, Transformers: A vingança dos derrotados o faz por intermédio de estímulos sensoriais e artifícios de edição que resultam redundantes. A redundância rapidamente se transfigura em tédio e a iniciativa de distribuir a ação por diferentes partes dos Estados Unidos e do planeta China, no início, e Egito, no longuíssimo final se revela como uma forma de camuflar, com muita paisagem, o fiapo de história tratado como roteiro, escrito por Ehren Kruger, Robert Orci e Alex Kurstman.

Embora tenham se passado dois anos desde o filme anterior, os personagens pouco evoluíram. Shia LaBeouf, que encarna Sam Witwicky, o nerd cooptado pelos Autobots para salvar o mundo, continua histérico e confuso. Megan Fox, que vive Mikaela Banes, a namorada gostosa do protagonista e sonho de consumo de todos os adolescentes reais e fictícios, volta repaginada como garota de folhinha de borracharia. E das bem bagaceiras.