DVD "ao vivo" de Celso Fonseca, será mostrado na Varanda do Vivo Rio

Tárik de Souza, Jornal do Brasil

RIO - O DVD Ao vivo, que rebobina a carreira de Celso Fonseca, será mostrado na Varanda do Vivo Rio, dia 2 de julho. O protagonista abre o jogo.

Como será o show? Alguma inédita?

- Será bem parecido com o que fiz no Canecão na gravação do DVD, no ano passado. Vou estar com minha banda, incluindo o naipe de três sopros. O repertório é uma síntese da minha carreira. Mistura minhas composições com músicas de outros autores que admiro. Vou cantar a mesma inédita do DVD, Nunca pensei. Além disso, costumo cantar músicas que escolho na hora. Gosto de trazer surpresas para o público. Essas canções fazem parte do meu repertório afetivo. São as que gosto de cantar em casa e nunca gravei.

Sua carreira hoje é mais intensa no exterior do que aqui. Por quê?

- Tive dois discos lançados pelo selo belga Crammed, o mesmo da Bebel Gilberto, entre outros brasileiros. Estes CDs tiveram uma grande repercussão na Europa, EUA e Japão. Talvez pelo fato de a gravadora fazer todo o marketing e promoção, como se seus artistas fossem locais, tive esta forma de exposição muito grande, diferente dos brasileiros que têm seus discos exportados pelas gravadoras. Meu público é exclusivamente formado por estrangeiros. Eles conhecem mais o meu trabalho do que os brasileiros que moram fora, que só conhecem quem é famoso por aqui. Por conta disso tudo, faço muito mais turnês fora do que no meu próprio país. Nossa música continua hoje tendo tanto prestígio no exterior quanto há 30 ou 40 anos.

Acha que a bossa nova pode transformar-se num gênero em constante mutação como o jazz? Ou ficou datada?

- Pode sim. Só acho que existe uma reverência excessiva. Muita gente se agarra a uma estética conservadora, como se o gênero não pudesse se transformar. No exterior, o que as pessoas mais gostam é de ouvir canções de bossa nova escritas hoje em dia por artistas novos. As misturas com música eletrônica também podem ser um sopro de oxigênio quando bem feitas, embora eu acredite que tem muito gringo no samba se apropriando mal de uma coisa que ele conhece pouco. Toda mistura é bem-vinda, podendo revelar a nossa bossa para gerações mais novas, que não teriam oportunidade de conhecê-la se não fosse através dessa alquimia.