Zezé Motta diz no 4º CineOP que Xica da Silva foi sua fada madrinha

Bolivar Torres, Jornal do Brasil

OURO PRETO - Quando a fluminense Zezé Motta chegar a solo mineiro, amanhã, para ser homenageada na abertura do 4ª CineOP Mostra de Cinema de Ouro Preto, é provável que muitos dos presentes a confundam como conterrânea. Depois do sucesso de Xica da Silva, na qual interpretou a famosa escrava que, durante a segunda metade do século 18, manteve durante quase duas décadas uma união consensual com o contratador dos diamantes João Fernandes de Oliveira, a atriz ficou tão marcada pelo papel que passaram a lhe atribuir o mesmo lugar de origem da sua personagem. Mais de 30 anos depois, apresentará na cidade cidade histórica o filme que a consagrou e cantará sucessos na voz de Elizeth Cardoso.

Ser homenageada é um reconhecimento de tudo que você fez para manter a carreira e um estímulo para continuar a vida de artista, que não é feita apenas de glamour, mas também de altos e baixos diz Zezé. É uma carreira muito irregular, há momentos em que você está em muita evidência, outros nem tanto. Mas sou grata porque nos últimos 40 anos consegui fazer com que as pessoas reconhecessem meu trabalho. Não me acho uma grande atriz, mas sei que escolhi a carreira certa.

Personagem carismático

Focado nos anos 70, o festival relembra com Xica da Silva um dos maiores sucessos da década. Para Zezé, o filme foi um divisor de águas na carreira.

Minha vida se divide em antes e depois do filme diz. Foi um sucesso internacional que me deu a oportunidade de conhecer 16 países. É um personagem muito forte e carismático, que muda a carreira das atrizes que a representam. É só ver o que aconteceu com Thaís Araújo depois que a interpretou na novela... Depois que o filme estourou, as pessoas na rua só me chamavam de Xica, não de Zezé. Isso me deixava angustiada porque queria marcar meu nome. Mas depois me dei conta que Xica da Silva era uma fada madrinha na minha vida e eu não tinha do que reclamar.

Além do longa de Cacá Diegues, o festival vai exibir outros sucessos da dos anos 70 época que o cinema brasileiro atingiu um de seus maiores índices de bilheteria como A 300 Km por hora, de Roberto Farias; A dama do lotação, de Neville d'Almeida; A ilha dos prazeres proibidos, de Carlos Reichenbach e Dona Flor e seus dois maridos, de Bruno Barreto.

Mas o universo da década também marcará presença musical. Na Praça Tiradentes, o DJ Roger Moore incorpora a discoteca dançante da black music e comanda a noite no Galpão Cine Bar Show com os grandes hits dos anos do desbunde.

Até terça-feira, o evento exibe 71 filmes longas, médias e curtas digitais e em película em 31 sessões distribuídas por três diferentes espaços da cidade mineira. A produção contemporânea terá Cidadão Boilesen, de Chaim Litewski, e Um homem de moral, de Ricardo Dias.

Bolívar Torres viajou a convite

do festival CineOP