Ficha teatral com Ulysses Cruz, diretor de 'O zoológico de vidro'

Macksen Luiz, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Como reagiu ao ver teatro pela primeira vez?

Era uma encenação de Antunes Filho, A megera domada, de Shakespeare. Me lembro de ter voltado para casa com febre.

O que o levou à carreira?

Você não escolhe essa carreira. É escolhido.

O que o mantém nela?

O fato de querer fazer algo inesquecível. Gostaria de fazer o meu Macunaíma. Para mim, é o maior momento do teatro brasileiro do meu tempo.

O melhor espetáculo?

Macunaíma, de Antunes Filho seguido de perto por Romeu e

Julieta, do grupo Galpão, dirigido por Gabriel Vilella.

O pior?

Hummm, são tantos. A toda hora saio no meio de um espetáculo, por isso jamais aceito convites. Aliás, todos deveriam sentir vergonha em pedir convites para gente que só tem isso para vender. Quando a produção não tem patrocínio então...

Diretor?

Marcio Aurélio. Atualmente ele está criando cenas surpreendentes.

Autor?

Shakespeare e Nelson Rodrigues.

Ator?

Antonio Fagundes, quando ele realmente quer.

Atriz?

Cleide Yaconnis. Elegância, inteligência e força.

A melhor plateia?

Aquela que entende que o bom teatro dever ser sempre com e nunca para ela.

A pior?

A que não entende as regras do jogo.

Espetáculo inesquecível?

O balcão, de Jean Genet, produzido por Ruth Escobar.

O que é transitório e permanente no palco?

As tendências, os modismos são transitórios, embora estimulantes. O que sobra e será sempre inesquecível é o teatro quando apoiado na tríade texto, ator e diretor.

Qual o verdadeiro jogo do teatro?

O mistério do ao vivo .

Como o teatro se faz possível na atualidade?

A necessidade humana de ouvir contar histórias que acontecem de um único jeito, numa única vez é atemporal.