"Patativa do assaré Ave poesia": Curioso e redundante

Daniel Schenker, Jornal do Brasil

RIO - O diretor Rosemberg Cariry reconstitui a trajetória de Patativa do Assaré (1909-2002) através de registros do poeta cearense contando sua própria história, inicialmente em ordem cronológica, e declamando seus textos, além de entrevistas variadas (com familiares, artistas, profissionais de cinema e políticos). O principal problema de Ave poesia não demora a se impor: Cariry se vale de imagens bastante ilustrativas em relação ao que é dito.

Mas o interesse permanece até o final graças a Patativa, ótimo personagem que evolui movido pela curiosidade de saber . Na tela, seu retrato é emoldurado com cenas de filmes emblemáticos como O país de São Saruê, de Vladimir Carvalho, Aruanda, de Linduarte Noronha, e Viramundo, de Geraldo Sarno.

O engajamento político de um socialista de coração , defensor dos oprimidos em versos que conciliam conscientização com valor literário, ganha destaque. Já a importância que Luiz Gonzaga adquire em seu percurso, abordada no bom documentário O milagre de Santa Luzia, de Sérgio Rozemblit, passa em velocidade meteórica.