Festival une Cao Guimarães e O Grivo e Naná Vasconcelos e DJ Dolores

Luiz Felipe Reis, Jornal do Brasil

RIO - Música, artes plásticas e cinema se mesclam na estreia do Festival Multiplicidade, que inicia sua quinta temporada consecutiva hoje, no palco do Oi Futuro, trazendo à baila a performance do cineasta e artista plástico Cao Guimarães e do coletivo de sound art O Grivo. A apresentação reúne obras em vídeo de Guimarães musicadas ao vivo pelo conjunto, que constrói seus próprios instrumentos e máquinas sonoras com objetos como latas velhas e copos de cristal.

São dois artistas extremamente contemporâneos e que já trabalham juntos há um tempo. O curioso é que ambos rompem paradigmas nos seus meios. Cao é considerado artista plástico pelos cineastas, enquanto O Grivo sofre do outro lado explica o idealizador do festival, Batman Zavareze. Será uma apresentação criada exclusivamente para o Multiplicidade. Algo que se transformou numa espécie de condição sine qua non. Fora isso, será a primeira vez que eles serão assistidos num teatro, fora das galerias e das salas de cinema, com toda uma acústica especial.

Macalé, Nuno Ramos e Lindsay

Assim como no ano passado, quando o festival realizou pela primeira vez uma série de espetáculos no Oi Casa Grande, Zavarese programa para outubro três apresentações que tomarão o lugar de experiências marcantes como a do coletivo audiovisual inglês D-Fuse, um dos criadores da cultura VJ no mundo; do cineasta e multiartista inglês Peter Greenaway e do coletivo carioca de artistas plásticos Chelpa Ferro. A estreia no Oi vai reunir, numa performance inusitada, o percussionista Naná Vasconcelos, o DJ Dolores, além de um cineasta a ser definido e apresentado pela curadoria da festa.

Vai ser uma experiência única para os que estão no palco e na plateia, que hoje reconhecem o Multiplicidade como um espaço dedicado à pesquisa de novas linguagens orgulha-se Zavarese.

Ele esconde quem será o Peter Greenway deste ano, mas anuncia a união de Muti Randolph e a pianista Clara Sverner para o próximo dia 25, além de nomes como Jards Macalé, Nuno Ramos, Arto Lindsay, entre outros.

É a conexão do extremamente tecnológico com o clássico. Uma combinação provocativa. Esse é o nosso grande combustível. E acho que por isso conseguimos lidar com um espaço de mil lugares. Aos poucos, 300 pessoas ficavam de fora do Oi Futuro. Havia uma demanda reprimida, agora basta alimentá-la.