Há 50 anos surgia o Grammy

Claudio R S Pucci, Portal Terra

SÃO PAULO - Pouca gente hoje consegue conceber viver sem o velho e bom rock and roll, mas há 50 anos, o ritmo ainda era motivo de preocupação na indústria fonográfica e dividia opiniões, geralmente apaixonadas, dos amantes de música. Isso porque por um lado era um belo gerador de receita com discos e mais discos sendo vendidos diariamente, mas por outro era considerada música de segunda linha. Assim, em 1958, um grupo de produtores de música resolveu criar o Gramophone Awards, cujo intuito era premiar estilos de música de primeira qualidade e obviamente o rock não se encaixava.

Em 04 de maio de 1959, no salão de bailes do luxuosíssimo Beverly Hills hotel, ocorreu a primeira premiação do que hoje é conhecido como Grammy, com 28 categorias e nenhum cantor de rock (os Everly Brothers de Bye bye love, Wake up little Suzie e Crying in the rain levaram uma estatueta de melhor country music como exceção). Nessa noite histórica, Domenico Modugno bateu Frank Sinatra e Peggy Lee (de Fever) com sua terrível Volare e levou os prêmios de gravação e canção do ano. Os prêmios de melhor performance vocal, masculina e feminina, foram para Perry Como e Ella Fitzgerald, respectivamente.

O primeiro artista de rock a levar um Grammy foi Chubby Checker em 1961, especialmente pelo sucesso de Let's twist again, mas foi somente em 1967 que os críticos incluíram um disco de rock na categoria de melhor do ano (foi Sargent Pepper's Lonely Hearts Club Band, dos Beatles, obra inquestionável).

Assim como o Oscar, o Grammy cometeu grandes injustiças, como por exemplo, nunca premiar grandes nomes como Creedence Clearwater Revival, Jimmy Hendrix, Led Zeppelin, The Who, Queen, Neil Young, Janis Joplin, Grateful Dead, Diana Ross, Sam Cooke, Fats Domino, entre outros, e ter desprezado artistas revolucionários como Bob Dylan quando ele estava no auge de sua carreira e fazia mudanças radicais na folk music americana (ele só foi ganhar um em 1972).

Já ouviu falar em Georg Solti? Pois bem, o maestro húngaro radicado nos Estados Unidos é o maior ganhador do Grammy com 31 prêmios, seguido de Quincy Jones, o decano da música americana, com 27 estatuetas, apesar dele também deter o maior número de indicações, 79. A cantora e violinista country americana, Alison Kraus, é a mulher com mais prêmios (26), o U2 é o grupo mais laureado (22) - mesmo que Bono tenha atacado a premiação no começo de sua carreira, chamando-a de Granny Awards (Prêmios das Vovós, pelo conservadorismo dos jurados).

Já nos recordes bizarros, o Toto levou estatuetas em todas as seis categorias que concorreu em 1983, enquanto Michael Jackson e Carlos Santana são os artistas solo masculinos que mais levaram prêmios numa mesma noite (oito cada um), o primeiro em 1984 e o segundo em 2000. Já, entre as mulheres, o recorde de seis estatuetas na mesma premiação é detido por Lauryn Hill em 1999, Alicia Keys em 2002, Norah Jones em 2003, Beyoncé em 2004, Amy Winehouse em 2008 e Alison Kraus em 2009.

Christopher Cross é o único artista a receber os quatro grandes prêmios em uma mesma noite, em 1981: Gravação do Ano (Sailing), Álbum do Ano (Christopher Cross), Canção do Ano (Sailing) e Revelação. Depois disso, sumiu. Já Brian McKnight detém a pior marca para um artista, pois concorreu dezesseis vezes e nunca levou nenhum prêmio.

O último Grammy aconteceu em 08 de fevereiro no Staples Center em Los Angeles e possuía 110 categorias divididas em estilos de música diversos, de rock a polka, de clássicos a música infantil, passando por reggae, rap, jazz, blues, R&B, latino e muito mais.