EUA usam jazz como influência e enviam músicos ao Iraque

Portal Terra

WASHINGTON - O Departamento de Estado americano decidiu enviar músicos a zonas de guerra de países como Iraque e Afeganistão para reforçar o intercâmbio cultural e aumentar a influência dos Estados Unidos. Iniciativas desse tipo custarão US$ 8,5 milhões em 2009 e têm origem nos tempos da Guerra Fria, segundo especialista ouvido pelo jornal USA Today.

Para Dan Morgenstern, diretor do Instituto de Estudos de Jazz da Universidade de New Jersey, a música sempre foi considerada uma 'boa arma cultural'. O governo patrocina músicos de jazz porque o gênero é 'internacionalmente conhecido, admirado, respeitado e identificado como uma forma de arte dos Estados Unidos'.

- Durante a Guerra Fria, enviar músicos como Louis Armstrong e Dizzy Gillespie foi uma das formas de penetrar em países que faziam parte da Cortina de Ferro - diz Morgenstern. A prática, que já havia sido retomada com Bush, continuará com Obama. Nos últimos anos, o orçamento foi de US$ 900 mil para US$ 10 milhões em 2008. Em 2009, será de US$ 8,5 milhões.

A secretária de Estado, Hillary Clinton, citou o uso de intercâmbios culturais como uma forma de exercer um "poder inteligente". Ou seja, usar meios não militares como uma maneira de expandir a influência americana. A força do jazz pôde ser comprovada pelo músico Jonathan Lefcoski durante uma apresentação em Bagdá.

Ao entrar no clube de música da capital iraquiana, o pianista americano não sabia como seria recebido, nem se os colegas do Iraque saberiam como tocar a mesma música que ele. No entanto, em minutos, ele já estava trocando experiências no palco com um baterista. Após tocar clássicos do jazz, Lefcoski disse ter percebido que a música é universal.