Me dá um palco que eu vou

Paulo Ricardo Moreira, Jornal do Brasil

RIO - Ninguém melhor do que o prório Henri Castelli para resumir sua atual fase de vida:

Está tudo encaixado!

A prova de que está tudo nos eixos com o ator paulista, de 31 anos, vem dos trabalhos e de uma nova paixão. Ele é um dos protagonistas de Caras & bocas, novela da Globo em que vive o advogado atrapalhado Vicente. O papel marca sua estreia no gênero humor. Ao mesmo tempo, o galã dá expediente no teatro.

Desde ontem, está em cartaz no Rio com a peça Vidas divididas, uma comédia de Maria Adelaide Amaral. O espetáculo é praticamente o debute de Henri nos palcos, uma vez que já atuou em uma peça que nunca chegou a ser encenada no eixo Rio-São Paulo. No amor, ele também não tem do que se queixar: namora há alguns meses a atriz Fernanda Vasconcellos, sua parceira no teatro.

Estou num bom estágio da vida, sim comemora ele, para acrescentar em seguida: Ganhei um personagem muito bom na novela. Nunca fiz nada parecido.

O ator não adota aquele discurso decorado de alguns de seus colegas, dizendo coisas como Vicente é um presente , mas defende o personagem. Entre outras coisas, ressalta que o advogado, apesar de ser meio confuso e tímido, é bom caráter e tem as melhores intenções com Dafne (Flávia Alessandra), tentando protegê-la das maldades da vilã Judith (Deborah Evelyn). Mas Dafne, a mocinha da trama de Walcyr Carrasco, gosta de outro e herdou uma fortuna do avô Jacques (Ary Fontoura), dono de uma empresa de extração de diamantes na África do Sul.

Ele é apaixonado pela Dafne desde garoto, não quer dar um golpe do baú. Vicente não tem interesse no dinheiro dela porque é rico também afirma o ator, que não arrisca um palpite sobre um possível final feliz para o casal.

Em março, gravou as primeiras cenas do folhetim na África do Sul. O ator, que adora animais diferentemente do personagem, que tem pavor esteve num parque natural onde os bichos ficam soltos entre os visitantes. No Santuário dos Elefantes, em Hartbeespoort, chegou a acariciar um deles.

Não conhecia o país. Foi muito bom poder visitá-lo aliando isso ao trabalho afirma.

Esta também é a primeira vez que Henri trabalha com Walcyr Carrasco e o diretor Jorge Fernando. O humor é a marca registrada da dupla. Apesar de ser estreante no gênero, o ator tem tirado de letra o desafio e aproveitado a experiência para amadurecer. A carreira começou em 1997, no elenco de apoio da novela Corpo dourado, da Globo. Mas a primeira grande chance veio com o remake de Pecado capital (1998). De lá para cá, emendou novelas como Esplendor, Um anjo caiu do céu, Como uma onda e Cobras & lagartos.

Após uma temporada nos Estados Unidos, onde morou durante um ano e meio em Nova York, voltou ao Brasil ano passado disposto a fazer teatro. Como ainda não tinha sido escalado para uma novela, procurava um texto para encenar. O destino fez com que esbarrasse com o ator e diretor Marcos Paulo durante uma viagem a Gramado. Do encontro casual surgiu o convite para fazer a peça de Maria Adelaide Amaral. Diretor do espetáculo, Marcos também estava em busca de um ator.

O texto estava pronto e já tinha as protagonistas femininas. Só faltava o meu papel conta Castelli, que divide o palco com Fernanda Vasconcellos e Antonia Fontenelle. O que mais me atraiu foi o fato de poder fazer, independentemente do personagem.

Após a estreia em outubro de 2008, Vidas divididas passou por várias cidades do país. Mas o espetáculo só aportou no Rio neste sábado para uma temporada de dois meses. Subir no palco diante da plateia carioca não deixa Henri mais ou menos preocupado.

Estou muito tranquilo. Para mim não muda nada. Tanto faz ser no Rio ou em Piracicaba. O público é igual em qualquer lugar, e temos que agradá-lo sempre. A diferença aqui é que fico mais perto de casa diz.

O ator reconhece que é difícil ganhar dinheiro no teatro, mas frisa que sua proposta é o exercício como ator. Tudo o que aprende ele põe em prática nos estúdios da Globo, onde grava a novela. Nesse processo, já descobriu a disciplina rígida do teatro e os cuidados fundamentais com a voz.

Quando comecei a gravar a novela, não estava viajando com a peça. Tínhamos parado uns dois meses. Agora, se precisar voltar a viajar com espetáculo, não dá mais para mim. Paro em junho e, então, fico me dedicando exclusivamente à novela conta.

O duplo expediente encurtou o tempo para ficar com o filho, Lucas, de 2 anos e meio, fruto de seu casamento com a modelo Isabeli Fontana. Apesar de morar em São Paulo, o ator tem passado a semana inteira no Rio, onde mantém um apartamento.

A pior coisa é ficar longe do meu filho. Mas, quando estou em São Paulo, ele fica comigo diz. A gente viaja, fica preso nos fins de semana, não pode ver os filhos, mas há uma recompensa pelo trabalho. Nessa minha volta à TV é que estou percebendo esse retorno.

Divorciado, ele assumiu há pouco mais de um mês o namoro com Fernanda Vasconcellos. Casamento? Por enquanto é só namoro mesmo.

É ótimo trabalhar com ela. Tinha um pouco de medo, porque nunca havia me relacionado com alguém com quem estava atuando. Mas deixei acontecer finaliza.