A Banda Podre de João Falcão

Leandro Souto Maior, Jornal do Brasil

RIO - Faz nove anos que o diretor João Falcão revelou os atores Lázaro Ramos, Vladimir Brichta e Wagner Moura nos testes para seu espetáculo A máquina. Agora, é ele quem está na alça de mira, pronto para se revelar numa empreitada como vocalista da Banda Podre, à frente dos escudeiros Pedro Gracindo (baixo e rabeca), Ricco Viana (guitarra) e Bruno Ferraz (bateria).

O grupo vai estrear na edição junina do Bailinho, festa do ator e DJ Rodrigo Penna, que volta à cidade remodelada e rebatizada de Arraialzinho. O trio de atores-músicos se aquece participando de Clandestinos, espetáculo de Falcão em cartaz até o dia 10 no Teatro das Artes, no Shopping da Gávea.

Começamos de maneira informal, fazendo jams entre um ensaio e outro conta João Falcão. Logo, com o objetivo de levantar uma grana para a divulgação da peça, não pensamos duas vezes em transformar aquela brincadeira num show de verdade, que aconteceu no Lounge 69, em Ipanema, e na Gafieira Elite, no Centro.

Baile podre

A quadrilha do Arraialzinho será animada, pela primeira vez, por música ao vivo.

Em vez de termos o som mecânico dos DJs, a Banda Podre é que vai promover a trilha sonora como grupo residente da festa, mesclando repertório próprio com muito arrasta-pé, forró, baião e xotes adianta Penna. Ainda não fechamos o lugar. Estou procurando um espaço inusitado na Zona Sul. E será um evento diurno. Estou legal de bombação na madrugada.

Para encarar a brincadeira, os músicos já estão ensaiando. Ou pelo menos tentando...

Ensaiamos menos do que gostaríamos. A peça tem consumido muito do nosso tempo. Se ensaiar muito estraga. Tem que ser podre mesmo! sentencia Pedro Gracindo, filho do ator Gracindo Junior, outro que começou a carreira na música, registrando nos anos 60 um hoje obscuro compacto ao lado da banda The Pop's.

O repertório que João Falcão está preparando para o evento mescla Roberto Carlos e Jackson do Pandeiro com músicas de sua própria autoria. Antes de se embrenhar no teatro, o diretor arriscou a carreira na música, apresentando-se em botecos e festivais em sua Recife natal. Suas composições na Banda Podre beiram o brega, com um tom bem teatral, claro. Mirinda, um dos potenciais hits do grupo, conta a história de uma cantora mirim que luta pelo fim da matança indiscriminada dos animais parasitários.

Comecei como cantor e compositor aos 16 anos, bem antes de o teatro tomar conta da minha vida revela Falcão, hoje um cinquentão. Não ganhei mais do que algumas cervejas com esse negócio, mas a primeira peça que fiz foi como músico, tocando violão e cantando numa montagem de Morte e vida severina. Na verdade, via o teatro como uma nova possibilidade de apresentar as canções que fazia. Nunca deixei a música. No cinema, são minhas as trilhas de filmes como O auto da compadecida e Lisbela e o prisioneiro.

A volta à frente dos palcos como band leader está causando um frisson especial no diretor.

Voltar a cantar está sendo um

susto define. Começo a ter vontade de me dedicar cada vez mais à atividade, que é um lance que sempre achei que fazia direito.

Entre o fim da temporada na Gávea e o início da turnê junina da Banda Podre, Clandestinos faz ainda única apresentação no Canecão, no dia 17. Depois, a montagem vai para Recife, Salvador e interior de Minas Gerais, cidades de onde vieram os integrantes do elenco, escolhidos através de testes, em 2008, que mobilizaram mais de 3 mil candidatos de todo o país.

Clandestinos

Teatro das Artes, Shopping da Gávea, Rua Marquês de São Vicente, 52, 2º piso, Gávea (2540-6004). Cap.: 457 pessoas. 5ª a sáb., às 19h30; dom., às 19h. R$ 50 e R$ 15 (pessoas até 21 anos). Estudantes e idosos pagam meia. 12 anos.