Carioca da Penha e herói da resistência

Carolina Leal, JB Online

RIO - Morreu o diretor de teatro, dramaturgo e ensaísta Augusto Boal, aos 78 anos, de insuficiência respiratória. Boal estava internado desde o dia 28 de abril no Hospital Samaritano, em Botafogo, Zona Sul do Rio, para um tratamento de leucemia. O corpo do dramaturgo foi velado no próprio hospital e será cremada neste domingo, no Cemitério do Caju.

Indicado ao prêmio Nobel da Paz em 2008 e nomeado embaixador mundial do teatro em 2009, Augusto Boal foi um dos maiores nomes do teatro brasileiro. Nascido em 1931, no bairro da Penha, no Rio de Janeiro, o diretor foi o fundador do Teatro do Oprimido, que visa à democratização da produção teatral, o acesso das camadas sociais menos favorecidas à arte e a transformação da realidade através do diálogo e do teatro. Além disso, a estética surgida desse novo tipo de teatro, traz um novo conceito de desenvolvimento intelectual para o ator e uma relação direta e ativa entre ator e espectador.

Segundo Olivar Bendelak, do Centro Teatro do Oprimido do Rio, o Teatro do Oprimido é praticado em mais de 50 países no mundo inteiro, seus projetos, que já foram realizados em prisões, escolas, manicômios, junto a ONG´s e sindicatos, além de rodar o Brasil e países da África com o projeto que se chama 'Teatro do Oprimido de ponto a ponto'.

Augusto Boal se formou em engenharia química, levando paralelamente a criação de textos para teatro, além de estudar dramaturgia em Columbia, Nova York. Em 1956, passa a dirigir o Teatro de Arena, grupo que luta pela nacionalização dos clássicos, em outras palavras, de uma dramaturgia brasileira. Ainda que os palcos brasileiros se encontrassem em processo de modernização, com grupos como Os Comediantes e o Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), ainda predominavam autores e estéticas estrangeiras. Um dos marcos do Arena foi, em 1958, a peça Eles não usam black-tie, de cunho social-política, escrita por Gianfrancesco Guarnieri.

Em 1971, durante a ditadura militar, Boal é preso e, posteriormente, exilado. No exílio, passa por países como Argentina e Portugal, leciona na Sorbonne-Nouvelle, em Paris, e cria o Centre du Théatre de l´Opprimé-Augusto Boal, em 1979.

Em 1986, volta ao Brasil, onde a convite de Darcy Ribeiro dirige a Fabrica de Teatro Popular, projeto que desejava tornar a linguagem teatral acessível a todos. No mesmo ano, cria o Teatro do Oprimido CTO-Rio, para difundir o Teatro do Oprimido no Brasil, sede que existe até hoje no bairro carioca da Lapa, atuante com seus projetos.