'Alô, Alô, Terezinha' divide espectadores no Recife

Portal Terra

JB ONLINE - O debate sobre o documentário Alô, Alô Terezinha, que ocorreu na manhã deste sábado, no Recife, seguiu a polêmica esperada desde sua exibição sexta-feira à noite no 13º Cine-PE Festival do Audiovisual, onde concorre na competição oficial.

Depois da sessão, aplaudida com entusiasmo pelas três mil pessoas - em sua maioria jovens - que lotaram o Cine Teatro Guararapes, as opiniões entre jornalistas se dividiram quanto ao tom por vezes apelativo e grotesco do filme, especialmente no que concerne aos depoimentos das chacretes. Na produção, as histórias das dançarinas e dos calouros, que a câmera reencontra hoje, se sobrepõem a uma biografia convencional do Chacrinha.

A opinião de um tom polêmico se confirmou na conversa hoje, entre jornalistas, interessados e o diretor do documentário, Nelson Hoineff. Há quem tenha questionado o fato de Hoineff ter utilizado um recurso similar de Chacrinha em seus programas de auditório de expor seus calouros ao grotesco e à humilhação, além de apelar à sensualidade e ao erotismo de dançarinas.

Na tensão oposta, houve a defesa de que o tom do filme se inscreveria exatamente naquele contexto popular do programa, de como ele representou de um Brasil de humor debochado, voltado a classe baixa e média que era seu público, justificando assim a mesma tendência no filme.

"Chacrinha era isso, esse deboche, essa atitude de ser um tanto cruel com os calouros; e o meu filme assume o jeito do apresentador na medida em que os próprios entrevistados também falam e incorporam esse mesmo jeito", justificou Hoineff.

A reclamação principal de quem acompanhou o debate diz respeito à exposição excessiva das chacretes, em sua franqueza quanto ao trabalho no programa, questões sobre suas relações,digamos, íntimas, com famosos do "Cassino do Charcinha", e a ingenuidade com que parecem ser levadas a determinadas revelações.

"Nada do que foi dito ali foi pedido ou imposição minha, todos os entrevistados, calouros ou chacretes, dizem e fazem o que querem". Hoineff exemplifica o momento em que a chacrete Índia Potira "veste" sua microfantasia e quase nua dança na fonte da praça de uma pequena cidade. "Tivemos essa idéia porque ela comentou que seu grande sonho era ter posado nua quando era dançarina, e nunca aconteceu um convite".

Da mesmo forma, na passagem que em que o cantor Biafra, freqüentador assíduo do programa e um dos artistas entrevistados, conversa e canta ("Voar, voar, subir, subir...") para a câmera à beira-mar no Rio de Janeiro, um parapente (esporte radical com um tipo de pára-quedas) cai em cima do artista. "Não foi nada montado, foi uma graça divina aquilo acontecer ali, assim como outras intervenções inesperadas".

São momentos em que a platéia riu para valer e aplaudiu ontem à noite, emendando em outras passagens de humor mais trágico, o que levaria a supor uma falta de tato do realizador com seus entrevistados. Hoineff abriu mão também de entrevistar assíduos do programa como Sidney Magal, este pelo fato de não ter encontrado uma situação e locação ideal para a entrevista, e Caetano Veloso, um dos grande defensores do "velho guerreiro". "Ele estava com a agenda lotada".