José Mojica conduz passeio em cemitério na quinta Virada Cultural

Branca Nunes, Jornal do Brasil

SÃO PAULO - Além das praças, ruas e viadutos da cidade, a Virada Cultural 2009 que acontece a partir das 18h deste sábado, em São Paulo, e segue até amanhã vai ocupar um lugar inusitado: o cemitério. O passeio noturno pela terra dos mortos, com direito à cinema e música, será comandado pelo ícone do terror brasileiro, o cineasta José Mojica Marins, criador do personagem Zé do Caixão. O evento Cinetério faz parte do chamado Lado B da Virada, que conta com uma programação alternativa fora do Centro da cidade. Entre as alamedas de túmulos do cemitério Vila Nova Cachoeirinha, Mojica vai ciceronear quem tiver coragem de acompanhar o cortejo marcado para as 23h de sábado.

As tumbas e crucifixos servirão de cenário para os contos aterrorizantes que Mojica planeja contar. Na praça do cemitério acontecerá também a projeção do clássico O massacre da serra elétrica (1974), de Tobe Hooper, além de interferências macabras e um pocket show do cantor e compositor Rogério Skylab.

Costumo improvisar as histórias na hora conta Mojica, que acabou de fechar um contrato com a produtora Ioiô filmes para a realização de um documentário baseado na sua biografia, Maldito (Editora 34), de Andre Barcinski e Ivan Finotti. Vejo como as pessoas estão, sinto o clima e imagino o que será mais assustador.

Velas para criar atmosfera

Mojica e suas performances em cemitérios, na verdade, já participam da Virada desde o primeiro ano do evento, que chega à 5ª edição. As interferências, entretanto, aconteciam totalmente à margem da programação oficial, diferentemente deste ano. Em 2005, Zé do Caixão fez uma exaltação à história de Álvares de Azevedo em frente à capela do Cemitério da Consolação, a convite dos estudantes da Faculdade de Direito do Largo São Francisco.

Depois disso, veio a ideia de oficializar a interferência e a transferimos para o Vila Nova Cachoeirinha, que fica bem em frente ao Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso conta José Mauro Gnaspini, organizador da Virada. Incluímos a projeção de filmes de horror no muro do cemitério e o show do Rogério Skylab, que participa também com comentários sonoros sobre o filme.

Mojica pede que o público leve velas para ajudar a criar uma atmosfera macabra . Para o cineasta, não há motivo para o medo.

É preciso enfrentar os nossos temores. Além disso, os mortos não fazem mal. Hoje em dia, a gente tem é que se preocupar com os vivos ironiza Mojica, que prepara dois curtas: Posto de gasolina, com Luciana Vendramini no elenco, e Espírito indígena, um documentário sobre os rituais religiosos dos índios brasileiros.

Ambos fortíssimos, com bastante sangue e muitas cenas de tortura e dor assegura o diretor, que lançou seu mais recente longa, Encarnação do demônio, no ano passado.

A programação de terror do evento terá ainda a Virada dos Zumbis, com a exibição de O zumbi, clássico de 1933 protagonizado por Boris Karloff no histórico Cine Dom José, no Centro, passando por A noite dos mortos-vivos (1968), de George A. Romero, Madrugada dos mortos (remake de Zack Snyder de O despertar dos mortos, dirigido por Romero em 1979) e Planeta Terror (2005), de Robert Rodriguez.