Em projeção prejudicada, filme carioca agrada no Cine-PE

Orlando Margarido, Portal Terra

RECIFE - O título representante do Rio de Janeiro, Praça Saens Peña, foi visto pela maior platéia já registrada até agora nesta 13ª edição do Cine-PE Festival Audiovisual do Recife. Visto é modo de dizer. Os espectadores se esforçaram para enxergar uma projeção digital escura que irritou alguns presentes, contribuindo para uma avaliação negativa da fita. Ainda assim, o drama de uma família carioca de classe média do bairro da Tijuca, onde se encontra o endereço do título, agradou e foi aplaudido ao final da exibição.

O diretor Vinícius Reis, que na sua apresentação no palco não fez nenhuma menção ao problema técnico, conta a história de um professor (Chico Diaz) que recebe um convite para escrever um livro sobre o bairro. A notícia, boa a princípio, torna-se uma obsessão para o marido e causa uma ruptura familiar quando a mulher (Maria Padilha) se distancia dele e conhece um jovem, levando a filha adolescente do casal (Isabela Meireles) também a uma crise.

Foco raro no cinema nacional, a classe média e seus problemas de ascensão, dinheiro e desgaste de casamento é representada de forma genuína, mas um tanto superficial, em uma trama que se perde em devaneios e recursos que poderiam ser melhor aproveitados - a exemplo do encontro com o compositor Aldir Blanc, no papel dele mesmo.

Homenagem e curtas-metragens

No caso da seleção de curtas, a preferência por Superbarroco, de Pernambuco, foi comprovada mais uma vez. A trama surreal e o estilo, claro, barroco como aponta o título, já foi premiada no Festival do Cinema Brasileiro de Brasília no ano passado e aqui provocou a mesma boa recepção. O tom musical da noite, mantendo o bom nível do documentário em longa-metragem Um homem de moral, sobre Paulo Vanzolini, ficou por conta do título carioca Nós somos um poema , desta vez sobre o mestre Pixinguinha.

Embora sofisticado no tratamento, Hagakure apenas se mostrou uma curiosa homenagem ao filme de gênero japonês de samurais, enquanto Cattum, uma animação de Goiás, conquistou pela diversão simpática.

Ainda, Os Sapatos de Aristeu, de São Paulo, triunfa no duelo de duas grandes atrizes, Berta Zemel e Denise Weinberg, em uma história dura sobre a morte de um travesti e reacende antigos dramas.

A terceira noite do festival ainda contou com a homenagem ao cineasta Roberto Farias, autor do clássico Assalto ao trem pagador e um dos diretores mais bem sucedidos na bilheteria brasileira com as comédias de Roberto Carlos nos anos 60.

No vídeo com depoimentos de colegas, o produtor Luiz Carlos Barreto lembrou que, nesse período graças à atuação de realizadores como Farias, o cinema nacional chegou a deter 38% do mercado de exibição no país. Foi Barreto quem entregou o Troféu Calunga de Ouro a Farias, que diz ser a homenagem muito mais importante para o público do que para ele.

- Depende de vocês (os espectadores) o cinema brasileiro voltar a ser tão importante e bem sucedido como um dia foi - finalizou.