"X-Men Origens: Wolverine": Nas garras da obviedade

Marco Antonio Barbosa, Jornal do Brasil

RIO - A maior infidelidade que Wolverine comete não é contra os fãs de histórias em quadrinhos que já estão acostumados com possíveis engasgos na passagem do papel para a película. Não, a maior infidelidade atinge quem se acostumou com filmes de super-heróis (razoavelmente) adultos, palpáveis e bem conduzidos. Um tipo de espectador conquistado justamente a partir do primeiro X-Men (2000).

Apostando tudo nos efeitos especiais e deixando coisinhas como o roteiro ou o desenvolvimento dos personagens em segundo plano, o filme dirigido pelo desconhecido Gavin Hood desaponta a quem esperava a consagração do mais popular dos mutantes da Marvel.

As origens de Logan (Hugh Jackman), seu passado como assassino a serviço do governo americano e a relação de amor e ódio com o irmão de criação, o também mutante Dente de Sabre (Liev Schreiber) tudo isso é contado de forma mais ou menos coerente. Mas com um abuso de chavões e situações previsíveis. Quando não há mais para onde a história evoluir, insere-se mais uma cena de luta adrenalinada. Pobre de quem só viu a versão vazada na internet: sem os efeitos especiais, sobra pouco para apreciar.