Público reage sem entusiasmo ao primeiro longa no Cine-PE

Orlando Margarido, Portal Terra

RECIFE - A plateia que compareceu à exibição do primeiro longa-metragem na mostra competitiva do 13° Cine-PE recebeu com entusiasmo moderado o exigente e experimental Mistéryos. Uma exigência, diga-se, que se mostra em um primeiro momento interessante na composição narrativa desta adaptação do livro do escritor Valêncio Xavier, mas que segue irregular e frouxo na estrutura ambiciosa.

O filme costura vários gêneros, do suspense ao documental na história do personagem VX (Carlos Vereza) que perambula pela noite insone e em crise existencial testemunhando situações inusitadas, quase surreais. Ao mesmo tempo, em outra trama, uma garota (Sthefany Brito) desaparece dentro de um trem fantasma de um parque de diversões e envolve seu companheiro (Leonardo Miggiorin) em uma investigação policial.

Cada bloco do filme corresponde a um determinado mistério, o que complica o que poderia ser uma narrativa linear. É um filme de estilo, de linguagem própria e rara no cinema nacional, formato que cabe bem a um festival que se apresenta voltado ao cinema independente. Mas a reação de parte da platéia de se retirar da sala durante a exibição representa a dificuldade de absorção do filme.

Curtas-metragens

Talvez, não por acaso, os curtas da noite se mostraram na maioria igualmente exigentes, fazendo uso de recursos como a metáfora e a anti-narrativa. Nesse sentido, os títulos Distração de Ivan, concorrente carioca, e Muro, de Pernambuco, se saíram melhor, este último com um diferencial de um prêmio no Festival de Cannes do ano passado.

Mas a noite não foi de toda densa e tornou-se bem humorada com a presença na tela da simpática figura do italiano Nello Rossi, dono do restaurante Nello's - título também do curta. Para quem não se lembra, além de ator e diretor radicado em São Paulo ele é responsável pelo famoso bordão do comercial de TV "Bonita camisa, Fernandinho...".