Proposta de Quinet em adaptação para teatro não se confirma no palco

JB Online

RIO - Óidipous, filho de Laios, em cartaz no Mezzanino do Espaço Sesc, adaptação de Antonio Quinet para a tragédia Édipo rei de Sófocles, se submete às perigosas implicações comuns a qualquer transposição que intente o avesso do original. Ao sobrepor interpretações culturais, filosóficas e psicanalíticas ao desvendamento da verdade, esta encenação de Édipo retrata os atos interditos do personagem e o caráter trágico do conhecimento como pontos

de reflexão.

A transcriação do texto e a direção de Quinet deixam evidente que a cena foi construída a partir de análises teóricas e projeções interculturais que traduzissem, com recursos teatrais, a proposta de investigação. Talvez tenha sido esta a maior dificuldade da montagem: conseguir autonomia como expressão artística. Há critérios que justificam a concepção geral, mas são menos evidentes quando chegam ao palco.

O espetáculo busca na ritualização em que civilizações como a grega e a indígena se encontram, ou tentam se encontrar, num espaço psicanalítico a integração das linguagens. A ideia de fundação e de permanência do inconsciente se transporta por épocas e culturas, dimensionadas em signos que perpassam cada uma delas. Os sons, as máscaras, as vestes, a maquiagem, todos os elementos se combinam para criar esse multiculturalismo cênico, e alcançar conceitos como essência, tragicidade, paradigma.

Não é fácil, mas a montagem de Antonio Quinet se empenha, arduamente, para explicitar seus critérios. A cenografia cria bom efeito no fim. A trilha sonora e a iluminação provocam alguma envolvência, o que não acontece com o elenco, ainda imaturo para as ambições do espetáculo.