Em quinto disco, Prodigy volta ao som de sua fase inicia

Marco Antonio Barbosa, JB Online

RIO - Olhando em retrospecto, a revolução que o Prodigy (junto a nomes como Chemical Brothers, e Underworld) preconizara há cerca de 10 anos deu para trás. A assimilação da música eletrônica pelas paradas de sucesso resultou numa superexposição que não foi boa nem para os fãs casuais do gênero, nem para a audiência hardcore. Depois desse virtual coito interrompido, o grupo liderado por Liam Howlett retraiu-se. Até lançar no fim de fevereiro o álbum Invaders must die que, de cara, atingiu o topo da parada britância o Prodigy só havia soltado mais um disco nesta década (o bom Always outnumbered, never outgunned, de 2004).

Reconhecidos como a face mais furiosa da eletrônica mainstream, ao misturarem a agressividade punk com o sacolejo funkeado do big beat, os ingleses voltam agora com sua formação completa; os vocalistas Maxim Reality e Keith Flint retornaram. A volta da dupla parece ter levado Howlett, cabeça principal do projeto, a uma reavaliação do passado. O Prodigy ainda segue frenético, mas agora busca inspiração em climas mais relacionados com as origens do grupo na cena inglesa das raves do começo dos anos 90.

Dave Grohl dá uma canja

Os timbres sintetizados remetem à primeira fase da banda (a época do álbum de estreia, Experience, de 1992). Exemplo claro é o single Omen (que tem direito a uma versão-reprise). Take me to the hospital, então, parece até Technotronic (quem se recorda?) ao menos na abertura. Depois descamba para uma batida hip hop adornada com vocais distorcidos. World's on fire segue em linha parecida, mas mais pesada, e com direito a um sample da voz de Kim Deal (Breeders) perdida no meio. Vozes femininas típicas da dance music mais comercial dessas que se ouve em rádios FM se misturam a um breakbeat infernal em Warrior's dance.

Não que a fusão techno-rock que a banda apresentou no álbum Music for the gilted generation (1995) e aprimorou em The fat of the land (1997) tenha sido totalmente esquecida. A faixa-título, pesado electro-rock que abre o disco, dá a pista. Mais contundência pode ser conferida em Run with the wolves, cuja combinação de vozes manipuladas e batida frenética e pesada se assemelha ao trabalho do Ministry. Dave Grohl, dos Foo Fighters, toca a bateria na faixa. O suingue troncho de Piranha vai numa linha parecida, mas os synths que dominam a melodia quebram um pouco a agressividade. Colours mistura riffs de guitarra (fake), batidas rápidas e mais barulhinhos com tom retrô.

A surpresa é guardada para a faixa final, Stand up. Sintetizadores simulando uma seção de metais conduzem uma melodia cativante que aproxima o som do Prodigy a um britpop mais convencional seria possível imaginar uma nova versão com os vocais de, digamos, Liam Gallagber (do Oasis). Quem sabe?