Justiça adia decisão sobre biografia censurada de Roberto Carlos

Ricardo Schott, Jornal do Brasil

RIO - Para três dos cinco desembargadores da 18ª Vara Cível que analisaram Roberto Carlos em detalhes, do jornalista e historiador Paulo César Araújo biografia não-autorizada do Rei, cujos exemplares foram recolhidos das livrarias em maio de 2007 e que decidiriam sobre sua liberação nesta terça-feira, às 9h, no Fórum Central, o livro é uma matéria complexa demais. Tanto que o desembargador Jorge Luiz Habib pediu vista do processo, adiando sua decisão em uma semana. Os outros desembargadores a analisar o caso são Pedro Raguenet relator do processo contra o escritor, que manteve a cassação e o revisor Cláudio Dellorto.

Foi agendado para a próxima terça-feira um novo encontro entre Araújo, sua advogada, Deborah Sztajnberg, os três desembargadores e os advogados de Roberto Carlos.

O adiamento revela uma questão polêmica, que merece ser melhor analisada diz Araújo, entre esperançoso e indignado. É uma aberração que a própria Justiça demora a entender.

Roberto entrou na Justiça contra o autor porque teria sentido sua privacidade invadida. Em audiência de conciliação no Fórum Criminal da Barra Funda, de São Paulo, em abril de 2007, por um acordo entre Roberto, Araújo e os advogados do cantor, foi decidido pelo término da venda do livro.

Na 20ª Vara Cível, houve uma sentença da juíza Márcia Cristina Cardoso de Barros, favorável ao livro. E nessa sentença ela até afirma que, mesmo havendo a questão da proteção de imagem, o direito à informação é indispensável diz Deborah, lembrando que a audiência de conciliação foi uma coação. Não foi uma conversa isenta. O juiz Tércio Pires chegou a ficar sozinho com o Roberto e seus advogados. E depois da audiência entregou um CD a ele.

Deborah afirma que o relator Raguenet chegou a sugerir uma aplicação de litigância de má-fé negada por Cláudio Dellorto. por causa da apelação.

Não há ilícito no livro, como a sentença deixa claro. Qualquer um pode ser réu, mas o autor tem sido uma verdadeira vítima afirma.

Paulo observa que já saíram outros livros sobre o cantor, sem processo algum, e repete que não houve invasão de privacidade:

Como falar do Roberto sem falar de sua vida particular, que ele mesmo põe nas músicas?

O Jornal do Brasil não conseguiu localizar os desembargadores. Quanto a Roberto, sua assessoria disse que o cantor não iria se pronunciar sobre o assunto.