Depois de conquistar a Grã-Bretanha, grupo Glasvegas se lança nos EUA

Braulio Lorentz, Jornal do Brasil

RIO - Após ser um dos mais citados nas listas de melhores CDs de 2008 de publicações especializadas como Mojo e NME, a banda escocesa Glasvegas tem sua estreia homônima finalmente distribuída em lojas dos Estados Unidos, desde o mês passado. Nas linhas em que o pop barulhento do quarteto é incensado, pouco se fala de Jesus and Mary Chain, My Blody Valentine ou qualquer nome de rock alternativo da região.

Estamos de fora de qualquer cena garante o baixista Paul Donoghue, em entrevista ao Jornal do Brasil. Nós nos trancamos numa sala para ensaiar até quando nos sentíssemos confiantes para tocar. Nossa maior influência é a imaginação e a química que temos no palco. Gostamos de Mary Chain, mas não vejo muito deles no nosso som.

Glasvegas, o disco, está entre os preferidos de cinco das principais publicações britânicas: Mojo (7º), New Musical Express (3º), The Observer (4º), Q (5º) e The Guardian (10º). Antes da entrevista, Donoghue assistiu ao Florence and the Machine, com quem excursiona na turnê do semanário NME pela Grã-Bretanha. Friendly Fires e White Lies completam o time.

Não temos muita chance de um ver o show do outro durante a NME tour lamenta Donoghue. Todos estão com pé no chão. Pensei que ter quatro bandas numa turnê seria uma batalha de egos. Nada disso. Tem sido como uma viagem escolar com grandes amigos.

Idealizador do Creation, selo que abrigou grande parte da cena do rock alternativo britânico (Oasis, Super Furry Animals, Teenage Fanclub, The Jesus and Mary Chain), Alan McGee conheceu o Glasvegas quando tocavam num clube em Glasgow, capital da Escócia. Ao lado dele estava o guitarrista e vocalista Carl Barat, ex-Libertines. O empresário vive a elogiar o grupo. Mas a relação para por aí.

Sempre nos perguntam sobre Alan, mas ele nunca trabalhou conosco diz Donoghue. Ele tem sido sensacional nos dando conselhos e apoio. Mas é só isso. Ele está numa posição privilegiada e pode ser o tio preferido das bandas novas. Enquanto isso, nossos empresários Dean e Denise lidam com a pressão.

Mesmo sem pegar pesado e meter a mão na massa (e nos botões da mesa de som), McGee é considerado figura importante para a história do Glasvegas.

Não há nada que ele tenha feito que não seja irrepreensível. Ele sempre está mais preocupado com a arte, em vez das vendas. Isso é raro. Alan é único e temos sorte de poder chamá-lo de amigo.

Turnês por prisões europeias

Quem atuou na concepção do primeiro disco foi o produtor Rich Costey, com currículo que engloba artistas essenciais do novo rock como Franz Ferdinand, Muse e Interpol.

A primeira razão de termos chamado o Rich foi por ele ter entrado em contato antes das gravadoras. Ele disse que faria qualquer coisa para nos produzir, não importava o contrato. Isso significou muito, mesmo que não soubéssemos do trabalho dele. Depois que descobrimos quem ele já produziu e mixou, vimos que era o cara certo.

O contato com Costey veio antes da assinatura com a Sony/BMG, assim como a turnê por prisões europeias.

Não queremos que nosso som seja exclusivo. A maioria dos presos é mais vítima das circunstâncias. Há bem mais pessoas más do lado de fora da cadeia. Não sabia disso até falar com eles.

Além das músicas do primeiro trabalho, o grupo gravou Everybodys got learn sometime, já registrada por Beck em versão presente na abertura do filme Brilho eterno de uma mente sem lembranças (2004). A canção original é do grupo britânico The Korgis, que lançou seus principais discos na virada dos anos 70 para 80.

Nunca ouvi a versão do Beck, mas vou dar uma escutada. É uma canção poderosa na qual imprimimos nossa marca. Ainda não a tocamos ao vivo, só em passagens de som.

A rápida e recente ida à Ásia trouxe novos fãs, conquistados com dois shows na capital japonesa, e uma epifania:

Dirigimos por Tóquio às seis da tarde com a cidade iluminada por um milhão de árvores de Natal. Foi a primeira vez que notei o quanto quero ver novos lugares.