Carmen Miranda mostrou o que a baiana e a música brasileira tem

JB Online

RIO - Nascida em Portugal em 9 de fevereiro de 1909, Carmen Miranda transformou-se em um ícone brasileiro. Na década de 1930, já era uma cantora aclamada pelo povo. Em 1939, estreou na Broadway, em Nova York, conquistando também os americanos. A 'pequena notável' morreu vítima de um infarto fulminante no dia 5 de agosto de 1955.

Nesta semana em que completaria 100 anos, o mundo lembra com carinho da artista. O cantor Marcos Sacramento, que gravou diversas canções do repertório de Carmen Miranda, descata seu talento e vanguarda.

"Ouço Carmen desde pequeniniho. Gravei o meu segundo disco, 'Memorável samba', dedicado aos sambas clássicos das décadas de 30 e 40. O escritor Ruy Castro ouviu as gravações no mesmo momento em que estava preparando a biografia dela, e gostou bastante. Acabamos ficando amigos. A partir daí, participei de eventos com ele, falando da Carmen. No meu disco seguinte, novamente recorri ao seu repertório, e desde então tenho sido procurado para falar dela.

Eu acho que Carmen Miranda é um fenômeno em vários aspectos, inclusive por ser uma personalidade artística que não caiu no esquecimento. Acho que ela é muito mais commemorada e festejada que outras figuras que tiveram tanta importância quanto ela, como a Dalva de Oliveira. Se você pegar um jovem hoje e citar os dois nomes, é provável que conheçam mais a Carmen, que morreu antes.

Ela foi uma figura muito forte, seu carisma extrapolou muito. Tem gente que diz que ela não cantava bem, mas eu acho que foi uma das maiores cantoras do Brasil. Dizem que ela era um engôdo, que foi para os Estados Unidos fazer macacada. Eu acho que ela foi fundamental, uma grande cantora, a rainha do suingue, até hoje não superada. Sua dicção e articulação para cantar coisas rápida era impressionante. Talvez não tenha sido a rainha da afinação, como outras canoras importantes também não foram, mas tem outras qualidades que superam isso. O estereótipo que rolou em torno de sua fugira, da dançarina e atriz canastrona de Hollywood, infelizmente ofuscou essa coisa da musicalidade que ela tinha. Mas se pegar as gravações originais, está tudo lá. Ela estava ligada aos valores que a Tropicália só viria a destacar décadas depois. Acho que ela mostrou o que a baiana e a música brasileira tem." Marcos Sacramento