Meu relacionamento com o Max é nulo

Toninho Spessoto, JB Online

RIO - Reconstruído, o Sepultura lança o novo álbum, A-Lex, inspirado no livro Laranja mecânica, de Anthony Burgess, e no filme homônimo de Stanley Kubrick. Em entrevista ao Jornal do Brasil, o guitarrista Andreas Kisser e o baterista Jean Dolabella comentam a atual fase da banda e analisam sua posição na cena internacional. A dupla diz ainda que a escolha de clássicos da literatura mundial como tema dos discos tem a intenção de dar mais cultura aos fãs da banda. A turnê de lançamento de A-Lex começa pelo leste europeu. Os fãs vão poder escolher (pelo site oficial www.sepultura.com.br) músicas antigas. As mais pedidas serão incluídas no set list.

Quais as mudanças sonoras que a banda sentiu com a entrada do Jean Dolabella?

- As mudanças normais quando se tem um músico novo na formação. O Jean trouxe suas próprias influências sem copiar o que o Igor (Cavalera) fazia. Ele é um músico excepcional, que toca qualquer estilo e veio para o Sepultura com muitas opções rítmicas e grande motivação.

Jean, você se inspira no Igor para tocar as músicas antigas do repertório em shows?

- Ele é uma das minhas influências, não há como negar, mas procuro imprimir minhas próprias características, sei que tenho um suingue que dá um molho aos temas.

Como avaliam a posição da banda na cena internacional?

- Andreas São poucas as bandas que chegam aos 25 anos fazendo música atual, sem se escravizar ao passado, sendo respeitada no mundo inteiro e, o mais interessante, influenciando novas gerações

Jean O Sepultura sempre foi moderno, antenado. Desde que conheci o som do grupo sentia que havia algo novo ali constantemente. A banda nunca se repetiu, o que explica essa longevidade.

Andreas, como é o relacionamento hoje com os Cavalera?

- Com o Max é nulo, desde que ele saiu da banda não conversamos mais, e com o Igor falo muito pouco. Não brigamos, mas ele está num circuito totalmente diferente, e fica difícil qualquer encontro ou comunicação.

Existem bandas seguidoras do Sepultura?

- Andreas Creio que sim, várias se declaram influenciadas, casos de Deftones, Korn, Slipknot. É prova de que nosso som marca.

Vocês têm investido em adaptações literárias como temas dos discos. Acreditam que conseguem passar uma mensagem, ou os fãs só se ligam na sonoridade, independentemente do conteúdo das letras?

- Andreas Independentemente do livro ou filme em que nos baseamos, sempre falamos de nossos pontos de vista, e isso pode ser compreendido por qualquer um, conhecendo ou não a obra que nos inspirou. Acho que a literatura é um exercício para o cérebro, e espero que estejamos servindo de estímulo para que as pessoas leiam mais.

Jean Temos uma preocupação cultural forte, foi assim com Roots, que tinha a presença do Olodum e de índios Xavantes. O mesmo aconteceu com Dante XXI, inspirado na Divina comédia de Dante Allighieri, e agora com A-Lex, que tem por base Laranja mecânica.

Andreas Outra coisa interessante é o fato de adaptarmos temas eruditos ao nosso som. Em A-Lex, fazemos a Nona de Beethoven na faixa Ludwig Van, dentro do conceito de thrash metal. O resultado vem sendo bem aceito.

Como será a turnê de lançamento de 'A-Lex'?

- Jean Começaremos em fevereiro pelo Leste europeu, depois faremos shows no Brasil, iremos aos Estados Unidos, e voltaremos pra cá.

Andreas Tocaremos a maioria das canções do disco novo e daremos uma geral na história da banda. Os fãs, inclusive, poderão escolher músicas antigas que não tocamos há anos. As escolhas podem ser feitas no nosso site.

Muitas bandas já fizeram CDs e DVDs em formato acústico, algumas até com acompanhamento de orquestras sinfônicas. É uma idéia que passa pela cabeça de vocês?

- Andreas Creio que até o fim do ano teremos a oportunidade de apresentar o A-Lex ao vivo com uma orquestra e também fazer versões de algumas músicas antigas nesse formato. É uma idéia que nos agrada bastante.

Jean, como os fãs vêm reagindo à sua presença na banda mundo afora?

- Felizmente muito bem, estou no Sepultura há pouco mais de dois anos e a receptividade é excelente. O carinho dos fãs comigo e com toda a banda é enorme, isso nos deixa muito felizes. Eu me senti em casa desde o começo, e fui muito bem aceito pelo Andreas, pelo Derrick (Green, vocalista) e pelo Paulo (Jr, baixista).