Coletânea de Andrew Lloyd Webber tem de Elvis a Alice Cooper

Marco Antonio Barbosa, JB Online

RIO - Compositor e produtor teatral, Andrew Lloyd Webber chegou aos 60 anos em março do ano passado. Entre sua primeira obra musical (uma suíte composta aos 9 anos) e sua mais recente produção (uma nova versão para A noviça rebelde, de 2006), tornou-se a personificação viva do musical contemporâneo seja na Broadway, seja nos teatros do West End londrino, as mecas mundiais do teatro.

A coletânea tripla 60 toma fôlego para comemorar a data redonda. Não que faltam compilações na discografia de ALW: com este lançamento, chega-se a sete títulos. O chamariz aqui é a chance de ouvir, num único pacote, uma eclética seleção de astros revendo canções de peças como Jesus Cristo Superstar (1970), Evita (1976), Cats (1981) e O fantasma da ópera (1986).

Onde mais, além de uma coletânea dedicada à obra de Webber, poderiam dividir espaço Elvis Presley, Alice Cooper, Glenn Close, Tom Jones, Placido Domingo e Petula Clark, além de grupos como o Boyzone e os veteranos Everly Brothers?

Da ópera ao rock'n'roll

As sessenta músicas, várias delas tornadas standards pop através de várias regravações, evidenciam as forças e as fraquezas artísticas de Webber que por vezes se confundem. O inegável dom para criar melodias grudentas, complexas mas memoráveis, sem dúvida ajudou a levar o compositor ao sucesso.

Também fez de seu nome um sinônimo de tudo que há de mais melodramático, inchado e derivativo dentro do teatro musical. Muitos não suportam o fato de o compositor operar na zona de sombra entre o pop e o erudito, indo do operístico ao rock sem (supostamente) soar verdadeiro em qualquer das pontas.

Um bom exemplo dessa convivência entre forças e fraquezas é a célebre All I ask of you, carro-chefe de O fantasma da ópera.

Na coletânea, a canção (que já teve até versão em português, interpretada por Verônica Sabino e Emilio Santiago) vem nas vozes de Sarah Brightman e Cliff Richard. É impossível dizer que a música seja feia , ou desagradável .

Mas o tom hiperbólico do arranjo orquestral, das interpretações e até da doçura da melodia causam arrepios. E de hipérbole em hipérbole, segue o repertório de 60.

Para quem não é especificamente apaixonado por musicais da Broadway, a coletânea tem uma razoável coleção de boas interpretações. It's easy for you foi gravada por Elvis Presley em sua derradeira sessão de estúdio, semanas antes de morrer.

Memory, extraída de Cats, vem em duas versões: a mais famosa, na voz de Barbra Streisand, e a versão original, com Elaine Paige. O suingue de Superstar (de Jesus Cristo superstar) vem intacto, na gravação de Murray Head.

E o sarcasmo de Alice Cooper em King Herod's song é contagiante. Aos broadwayofílos, sempre resta retornar a Don't cry for me Argentina, The phantom of the opera, I don't know how to love him e outras tantas.

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