Jandira Feghali faz show de promessas e vê hip hop tomando a cidade

Luiz Felipe Reis, JB Online

RIO - Num Teatro Carlos Gomes superlotado (de produtores), a secretária municipal de Cultura Jandira Feghali apresentou um conjunto de novas diretrizes para seus próximos quatro anos de gestão à frente da pasta. Entre elas, o aumento do orçamento de 0,5 % para 1,5 %, que equivaleria a quase R$ 150 milhões, a criação de um fundo municipal para a Cultura, a revisão da porcentagem da lei de incentivo pelo ISS, entre outros projetos, como a (contestada) criação de uma Casa do Hip Hop.

Iremos apoiar o movimento hip hop e a cultura do grafite doando muros para transformar o Rio na cidade mais colorida e artística do Brasil anunciou a secretária.

Após uma performance musical em que atacou tambores e pratos de uma bateria ao lado da Orquestra Crioula, a secretária afirmou que irá ampliar o número de lonas culturais espalhadas pela cidade e reabrir o Imperator, casa de shows no Méier que funcionará como um equipamento multicultural. Diz que vai aderir ao Sistema Único de Museus, reeditar o Palco Sobre Rodas e o Menu do Meio-Dia, além de garantir a compra imediata de novos equipamentos de som e luz para os teatros da rede municipal, que deverão trabalhar por meio de uma rede integrada de programação.

Ainda não afastei nenhum dos gestores dos teatros municipais assegurou Jandira. Iremos analisar cada um dos casos, um a um. Nosso compromisso é fazer com que os teatros funcionem de forma integrada, sem feudos. Minha política cultural é de integração entre as três esferas de governo e a iniciativa privada para que possamos abrir as portas da arte para todos.

Em defesa de Cláudio Botelho

E parece que foi este o princípio que fez o Carlos Gomes transbordar. De portas abertas, o foyer do teatro recebeu representantes dos mais variados setores culturais, que se aglomeravam buscando um bom lugar para assistir ao pronunciamento da secretária e do prefeito Eduardo Paes. Entre eles, o ator Marcelo Serrado, produtor e ator do espetáculo Tom & Vinicius, o musical, que estreou no último fim de semana no Teatro Municipal João Caetano.

Apóio a Jandira e acho que alguns gestores realmente precisam perder seus cargos disparou Serrado. São pessoas que criam guetos culturais e não estão preocupadas com a difusão artística. Mas é preciso tomar cuidado. Cláudio Botelho deve permanecer. Ele trouxe a cultura dos musicais para o Rio e trabalha de maneira incansável. Mantê-lo é um enorme favor à nossa cidade.

A cantora Alcione se mostrava empolgada com a determinação da secretária em reabrir o Imperator.

Acho que cada canto da cidade precisa de um grande e bem equipado espaço de shows defendeu Alcione, que espera que a Cidade da Música seja convertida num complexo cultural destinado a todas as manifestações musicais.

A Cidade da Música deve receber espetáculos de maracatu aos clássicos da música erudita. Um espaço democrático que funcionaria como um centro de formação e educação cultural disse Alcione.

Entre as demais prerrogativas estabelecidas por Jandira encontram-se o lançamento de editais para artes cênicas, retornando ao orçamento de R$ 5 milhões para o Fundo de Apoio ao Teatro (Fate), o fortalecimento da produção de exposições de todas as artes visuais, a criação de 200 pólos de difusão digital imediatamente, a implementação do plano Lapa Legal, além da promoção de cinco editais da Riofilmes.

O audiovisual vai ser prioridade com a Riofilmes destaca Jandira. Vamos injetar dinheiro e apoiar a realização e distribuição de curtas-metragens, longas de ficção, série de TV e novas mídias e documentários, assim como a produção de mostras e festivais e a film comission.