Programa '15 minutos' ganha eleição dos leitores do 'JB'

Fernanda Pereira Carneiro, Jornal do Brasil

RIO - Sweet child o' mine, do Guns n' Roses, entoada por Silvio Santos. Garganta em dueto de Ana Carolina e Dercy Gonçalves. E a voz grave e circunspecta de José Wilker a cantar um arremedo do funk do Créu.

Em 2008, essas misturas inacreditáveis e hilariantes se tornaram possíveis na voz da maior revelação da TV brasileira no ano: o comediante Marcelo Adnet, que comanda o programa 15 minutos, na MTV.

A atração, que é mais longa do que sugere seu título, faz do apresentador um sucesso não só na TV ou no palco, onde está há cinco anos em cartaz com Z.É . Zenas Emprovisadas (espetáculo coletivo de improvisação, vencedor do Prêmio Shell de 2004, em que Adnet gestou seu estilo ágil de comédia).

O carioca do Humaitá, pródigo em imitar os cacoetes e trejeitos de famosos, também fez sucesso na enquete promovida pelo JB Online, na qual foi eleito o melhor da TV em 2008 pelos leitores do Jornal do Brasil.

Adnet acredita que a receita é a simplicidade adotada, fórmula que vai ser mantida pelo canal em 2009.

O sucesso se deve ao fato de tudo ser muito simples defende o apresentador.

Não temos figurino, ficamos bem à vontade, com roupas de casa . Assim, ficamos próximos do telespectador. É um humor polivalente, em que se pode fazer uma piada clássica, uma música, uma imitação, uma análise crítica...

O cenário reproduz (e por vezes é) o quarto de Adnet, com toda a espontaneidade (e bagunça) do ambiente. E quando algo dá errado tudo segue com absoluta normalidade.

Não paramos para gravar novamente. O erro também faz parte do contexto atesta.

Talvez façamos pequenas alterações em 2009, mas o formato vai ser o mesmo.

Saudades do anonimato

O trabalho de Adnet em 2008 foi intenso, entre inúmeras pontes-aéreas, pesquisas no computador, sete filmes, ensaios de Z.É., apresentação de stand up comedy duas vezes por semana, eventos corporativos e publicidade.

A agenda lotada não impede o apresentador, descoberto em novembro de 2007 no programa Rockgol, também da MTV, de acumular novos projetos: dois longas estão previstos para o próximo ano.

O cinema é um tipo de trabalho que dá para conciliar com a minha rotina. Uma novela é mais complicado compara Adnet, que participou de Pé na jaca (2006), na Globo.

Achei interessante a experiência, mas vi, na prática, que não tem esse glamour que muitos imaginam. São poucos papéis bons e muitos secundários.

Por ser comediante, Adnet diz precisar de espaço para criar.

Tenho necessidade de colocar em prática meu trabalho autoral. O que eu faço como artista é muito realizador, até pelo fato de levar meu nome. Não interpreto um personagem, estou ali no papel de comunicador.

A parceria com o mascarado Kiabbo (interpretado pelo cantor e redator da MTV Felipe Ricotta) vai continuar nos próximos programas. Por sugestão do próprio Adnet, o rosto de Ricotta continuará mascarado.

O mistério, garante o comediante, contribuiu para o sucesso da atração, principalmente num meio em que a novidade e o próprio humor são pouco explorados.

A televisão está medíocre. Tudo tem maquiagem. Se você tem um sotaque forte, tem que mudar; não pode falar isso, não pode falar aquilo. É complicado. No 15 minutos, eu queria ter alguém comigo, um interlocutor, nem que fosse um abajur, mas é claro que o Kiabbo é mais que isso brinca Adnet.

É até engraçado ter dois cariocas numa emissora paulistana, mas tem dado muito certo.

Quinze minutos vira padrão

Gerente de programação da MTV Brasil, Raquel Affonso diz que o formato mais curto deu tão certo que a emissora tem outros quatro programas seguindo o mesmo padrão.

A maneira de consumir televisão está diferente define Raquel.

Tudo é mais rápido, vivemos no tempo da internet, os padrões estão mudando.

Adnet também acredita que a inovação é vantajosa.

A parte boa de ter um programa de 15 minutos é que, se acabar, dificilmente alguém vai querer me dar um de cinco diverte-se.