Maria Flor namora dois homens em especial de fim de ano da Globo

Renata Leite, Jornal do Brasil

RIO - - Aline é uma desavergonhada. Tem dois maridos e ainda reserva energia para dar umas puladinhas de cerca.

A descrição da personagem é de Adão Iturrusgarai, autor da tirinha bem-humorada e politicamente incorreta que já virou desenho animado no Cartoon Network e até linha especial de sandálias Havaianas.

Agora, o triângulo amoroso de uma mulher e dois homens pode virar série na Rede Globo. O piloto vai ao ar no dia 30, após a novela A favorita, como especial de fim de ano. Caso caia no gosto do público, pode entrar para a grade noturna da emissora.

O país é tão zoneado que é capaz de curtirem brinca Iturrusgarai, que reconhece a necessidade de adaptações.

Estou curioso para ver o resultado. Não consigo imaginar a Aline na televisão. É outro meio, outro público. Prefiro que a adaptação seja infiel e boa.

A Aline televisiva será mesmo menos espevitada do que a das tirinhas. A personagem de carne e osso, interpretada por Maria Flor, ganhou ares românticos. A edição também deixou de fora cenas de sexo e nudez, que prevalecem nas tirinhas.

Fica tudo apenas insinuado, sem que caia na vulgaridade. O intuito não é chocar ressalta Maria Flor, que divide a cena e o matrimônio moderno com Pedro (Bernardo Marinho) e Otto (Pedro Neschling).

Fantasias meio loucas

Mesmo com maior carga de verossimilhança, a atriz aponta os acontecimentos surreais vividos por sua personagem como a parte mais enriquecedora do trabalho:

Pelo fato de a trama ser baseada nos quadrinhos, tive liberdade para ousar, principalmente nos delírios e fantasias meio loucas de Aline.

Da Patagônia, na Argentina, onde mora há um ano e meio, Iturrusgarai não tem acompanhado a produção do programa, mas confia no trabalho do diretor Maurício Farias (A grande família) e do roteirista Mauro Wilson, que o convenceu a vender os direitos da história por três anos.

O roteirista afirma que a Aline da série será a de Adão, apenas com uma mudança no enfoque.

Não é uma comédia sexual, mas uma comédia romântica sobre uma mulher que ama dois homens analisa Wilson.

Isso vai quebrar um possível olhar conservador do público. Tenho certeza de que haverá torcida pelos três.

A história foi dividida em duas partes: a primeira narra a chegada de Pedro, quando Aline já mora com Otto. Dívidas e a geladeira vazia motivam o casal a buscar uma terceira pessoa para dividir as contas.

A segunda mostra uma possível gravidez de Aline. Para garantir a carga de dramaturgia, o roteirista aumentou a participação dos pais da personagem principal, interpretados por Daniel Dantas e Malu Galli, e criou uma história nova, sobre a vizinha Dona Rosa (Camila Amado) determinada a despejá-la do prédio por ferir os bons costumes.

A personalidade cosmopolita da protagonista foi definitiva na decisão de levar as gravações para São Paulo.

Adoro São Paulo. Pelo resultado das externas, tive certeza de que a decisão foi acertada diz Maria Flor.

Novas tramas já estão previstas

O clima das gravações não poderia ser melhor na avaliação da atriz. O fato de a produção já estar entrosada, por trabalhar junto em A grande família, foi um diferencial, e a cumplicidade construída entre os três atores principais permitiu que a história antiga dos personagens parecesse real.

As piadas do texto são boas sem serem apelativas comenta a atriz, que fez duas tatuagens para viver a personagem-título.

A matéria-prima inteligente favoreceu a ousadia, como nunca tinha feito na televisão.

Diante de uma possível aprovação do piloto para inserção na grade da Rede Globo, o roteirista já pensa novas histórias, adaptadas das tirinhas. Problemas de peso enfrentada pela personagem, a decisão de colocar um piercing, a mudança do pai para o já populoso apartamento e a ida dos namorados para o Rio de Janeiro são fortes candidatos a roteiros da série.

O sucesso de um seriado depende de personagens fortes e uma premissa diferente, e isso com certeza Aline tem defende Wilson.