Ancine libera fundo de R$ 74 milhões ao cinema

Leandro Souto Maior, JB Online

RIO - Destacado como um marco na política pública de incentivo ao audiovisual, o Fundo Setorial do Audiovisual, aguardado projeto da Agência Nacional do Cinema, a Ancine, que vai ser lançado nesta quinta-feira pelo ministro da Cultura Juca Ferreira, às 15h, no Palácio Gustavo Capanema, com presença do presidente Luís Inácio Lula da Silva, prevê um investimento de R$ 74 milhões na área.

É o maior investimento já feito no setor, que chega exatamente num momento de crise de público: este ano, o cinema nacional não chega a ocupar 7% da bilheteria.

Ao longo do ano que vem, o substancioso aporte financeiro será distribuído, por meio de editais, na produção, distribuição e comercialização de longa-metragens e produções independentes para a televisão.

O objetivo é investir no desenvolvimento do mercado do audiovisual. No mundo atual, os países se dividem nos que produzem e nos que consomem conteúdo audiovisual e nossa meta é estabelecer o Brasil como um país de ponta na produção de filme, mini-séries e documentários defendeu o presidente da Ancine, Manoel Rangel, em entrevista coletiva realizada nesta quarta-feira.

O Fundo Setorial do Audiovisual se apresenta de uma forma diferente do atual apoio público à produção. A maior parte de seus recursos vêm da Condecine, uma contribuição que as indústrias cinematográfica e de TV por assinatura pagam pela exibição de produtos estrangeiros no país.

Hoje, as produções obtém recursos de incentivos fiscais, mas o investimento não retorna às empresas, independentemente do sucesso comercial da obra.

No formato do FSA, uma parcela do resultado comercial deverá retornar ao fundo, sendo ele assim um sócio da produção. O diretor da Ancine disse ainda que existe um estudo do Ministério da Cultura para a implementação, ainda em 2009, de fundo setoriais para outras atividades artísticas.

Também estão previstas outras ações para até o final de 2009, como o investimento no aprimoramento da mão-de-obra no setor com cursos de treinamento, seminários e workshops, além da modernização tecnológica de salas de cinema e a criação de novas salas em locais menos favorecidos, focando nas classes C e D antecipa Rangel.

As quatro linhas de investimentos iniciais do fundo para o ano que vem serão divididas em R$ 30 milhões para a produção cinematográfica de longa-metragem, R$ 14 milhões para a produção independente de obras audiovisuais para a televisão, R$ 20 milhões para a distribuição de obras cinematográficas de longa-metragem e R$ 10 milhões para a comercialização das obras.