Fãs de Obama e McCain contam por que escolheram um candidato

Marsílea Gombata, Jornal do Brasil

RIO - Uma quebra de paradigma na sociedade americana, a experiência de um parlamentar ex-veterano de guerra, os rumos que pode tomar o comércio bilateral entre o Brasil e os Estados Unidos.

Todo argumento é válido na hora de justificar a preferência por um candidato à Casa Branca. Por maior que seja a onda do já ganhou de Barack Obama pelo mundo, por aqui há fãs tanto do democrata quanto do republicano John McCain tão empenhados quanto os próprios eleitores americanos.

A dois dias das eleições, o JB buscou saber o que pensam e como vêem a acirrada disputa fanáticos pelo ex-piloto da Marinha e pelo político formado em Harvard.

Em McCain, admiro sua história de vida de ter sobrevivido à prisão no Vietnã explica o paulistano Eliezer França, 27 anos, representante de vendas.

A história dele é um exemplo de determinação e perseverança. Enquanto o tom messiânico de Obama assusta, pois vive pregando mudança mas não explica bem qual, McCain é um homem de caráter, com coragem para enfrentar o próprio partido quando necessário.

Americanófilo de carteirinha, o analista financeiro Felipe Infante, 23 anos, é fã do republicano por estar de acordo com os princípios de menos intervencionismo estatal e por enxergar na figura de McCain posições claras e definidas.

Obama se vende como uma figura que engloba todos, quando na verdade o que faz é não se comprometer com nenhum lado acrescenta Infante.

Como nosso presidente Lula, é uma figura política que não assume uma posição, e ainda por cima representa o populismo americano.

Mais do que um político que joga com temas populares, Obama é visto por seu fãs como quebra de modelo usual na sociedade:

Um presidente negro eleito nos EUA, pense bem, não estaria quebrando um paradigma americano? analisa o estudante de publicidade Bruno Botelho, 25 anos.

O fato de entrar um negro na Presidência derruba o preconceito histórico de lá.

Engajado nas eleições americanas desde o tempo em que morou nos EUA, de 1994 a 2001, o advogado Luiz Claudio Duarte, 53 anos, acredita que Obama vá representar uma mudança radical em relação à realidade americana:

Só Obama é capaz de reverter o que acontece hoje no país: o isolamento em que George Bush e seus falcões colocaram o país diante do mundo avalia.

Será um choque necessário: por se negro, ter um nome árabe, com inteligência e idéias liberais.

O discurso do democrata é o que mais encanta a antropóloga mineira Petra Costa, 25 anos, que viveu três anos em Nova York:

É o melhor orador que já vi confessa.

Torço por Obama e uma política mais democrática, focada em direitos humanos, projetos sociais e na distribuição de renda.

'Reloaded'

Acusações contra o candidato republicano de que seria uma segunda versão de Bush não têm fundamento para os fãs de McCain.

França faz questão de lembrar que Bush e McCain não se dão desde as primárias de 2000, quando trocaram grandes farpas:

McCain não é Bush e sempre ficou conhecido na política americana de ser um dos republicanos que mais o criticaram ressalta.

Ele recebeu votos nas primárias justamente dos republicanos descontentes com o atual presidente, e a ala mais fã de Bush sente dificuldade em apoiar McCain.

Na área de política externa, França lembra, ainda, que McCain tem um estilo que agradará muito mais o mundo do que o atual: já declarou que irá fechar Guantánamo, criticou veemente a forma como foi conduzida a guerra no Iraque, assim como os gastos excessivos do governo.

Pró-McCain, o administrador de empresas Álvaro Silva, 62 anos, acredita que uma das principais razões para o republicano se distanciar da gestão atual é que Bush deixou lições muito importantes, como a desastrosa intervenção no Iraque.

Ele mostra-se muito mais experiente e não está atrelado a lobistas e empresas petrolíferas como esteve fortemente Bush destaca Silva.

Uma vitória de McCain, para Duarte, traria como problema a continuidade de uma política armamentista, centrada na indústria bélica:

O americano gosta de de guerra, está no sangue. McCain é um militar e representa esse continuísmo.

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