Espetáculo 'As Mulheres da Rua 23' é encenado na Tijuca

JB Online

RIO - O Centro Cultural Marista, na Tijuca, recebe nesta quinta-feira, dia 16, o espetáculo teatral As Mulheres da Rua 23. A comédia escrita por dois jovens autores (Leandro Bertholini e Raphael Miguel) sofre forte influência do Teatro Absurdo, gênero trazido por Eugène Ionesco ao Brasil.

As apresentações acontecem sempre às quintas-feiras do mês de outubro, às 19h30m, no lugar que foi recentemente aberto para produções culturais.

As Mulheres da Rua 23 conta a história de duas amigas que se encontram todos os dias, no mesmo horário e local, para contar casos e histórias de vida, a tal "rua 23" do título. O lugar apresenta uma atmosfera misteriosa que vai sendo desvendada pelas personagens ao longo da trama.

Sem nomes definidos, as mulheres utilizam pseudônimos de flores para não serem descobertas no ambiente. A trama se desenvolve a partir da morte dos respectivos maridos das personagens revelando um final surpreendente ao público.

Os atores Leonardo Campos e Leandro Bertholini vivem às personagens seguindo a risca, a proposta do gênero absurdo (homens interpretando mulheres) sob a direção de Carlos Alexandre.

Atualmente em cartaz com o Terapia do Riso, no Shopping da Gávea, o diretor ressalta que o público vai poder dar gostosas gargalhadas das situações vividas pelas personagens, mas tudo de uma forma muito inteligente , garante ele.

- O espetáculo tem uma dramaturgia muito interessante sob a ótica do Absurdo, o que possibilita a criação de marcas e linguagens inovadoras para este tipo de teatro mais contemporâneo. Nós, que estamos envolvidos no processo, temos a preocupação durante os ensaios de registrar a influência do gênero sem assumir a responsabilidade de seguir os padrões trazidos por Ionesco. Tudo não passa de uma grande brincadeira de situações absurdas define o diretor.

Para Leonardo Campos que vive uma das mulheres da rua 23 a composição da personagem não foi fácil, já que o ator precisou de horas de ensaio em cima de 'saltos' para definir de forma impecável o andar feminino. Os vestidos longos de época produzidos pela figurinista Jussara Pereira também são ferramentas importantes de composição na opinião do ator.

- Está sendo um prazer participar deste processo e descobrir durante os ensaios como posso utilizar a composição do figurino para criar as nuances da minha personagem. A proposta é bem interessante já que homem acaba não tendo muito jeito para lidar com certas delicadezas femininas, mas vale lembrar que tudo isso tem um propósito, nada é gratuito explica o ator em tom de descontração.

Leandro Bertholini que também é um dos autores da peça ressalta que existem pouquíssimos dramaturgos brasileiros do gênero, já que a maioria surgiu na Europa na segunda metade do século XX.

- Ao escrever este texto tive a preocupação de trazer uma proposta dramática inédita já que vemos muitas comédias sendo produzidas mais poucas em cima do gênero Absurdo. Hoje, não temos autores brasileiros que escrevem algo semelhante à proposta trazida por Samuel Beckett, Fernando Arrabal e Ionesco, por exemplo, que revolucionaram o teatro europeu com suas inovações de linguagem. Acho que este texto ajuda a trazer para o teatro contemporâneo uma forma nova de fazer comédia conclui Bertholini.