Dave Matthews Band faz apresentação brilhante no Rio

Leandro Souto Maior, JB Online

RIO - Enquanto dezenas de carros ainda disputavam centímetros para chegar, lá dentro o show já começava, quase que pontualmente, por volta das 21h30. Nem o Dave Matthews Band é o The Police, nem o Vivo Rio é o Maracanã, mas o clima era de grande evento na noite desta terça-feira. Tinha gente por lá que nunca tinha visto o local tão lotado.

Em um primeiro momento poderia se pensar que o mundo tem salvação , já que tanta gente parecia ter se mobilizado em um início de semana - ingressos por pelo menos R$ 240! - para ver boa música com um grupo de estilo único.

Mas uma segunda percepção da movimentação do público revelava que, de tão cheio o local, nem todos estavam ligando para o show. Muita gente naquela do evento hype . Um evento-social-com-música-ambiente-exótica-tocada-por-Dave Matthews-Band. Como no Jack Johnson - só que o som mais pauleira do Dave Matthews encobria o burburinho do bate-papo, que sobressaiu ao som intimista de Johnson.

Com violino, trompete, sax e flauta, o Dave Matthews Band imprime seu estilo único. Trata-se de um tipo de música tão específico que imagina-se no máximo um show para poucos aficcionados em um espaço pequeno, como o Mistura Fina, por exemplo.

Às vezes parece até que os músicos fazem questão de 'ser difícil'. Tipo: não vamos fazer uma solução harmônica e melódica simples não... vamos complicar! O show fica repetitivo às vezes , mas quem se importa? O grupo lotou o espaço. Os ingressos esgotaram.

É um mistério como uma banda que abusa de músicas longas, pouco ou nada pop, sem refrão, polirritmias, compassos incomuns dance com um barulho desses! consegue atrair tantos seguidores. Os músicos pareciam inspirados, e o público correspondia, com gritos, assovios, aplausos e palmas marcando o ritmo da música. Receberam o que esperavam: repertório, duração e entrega.

Esta apresentação no Rio foi digna de histórica, tanto quanto quando vieram pela primeira vez, no Free Jazz de 1998 no auge da carreira ou na segunda vinda, no Rock In Rio 3, dividindo a noite com estrelas como Sheryl Crow e Neil Young.

Um dos auges da noite contou com um tempero brasileiro: o virtuoso flautista Carlos Malta, da banda de Hermeto Paschoal, deu uma 'canja' memorável, promovendo um duelo de pife e flauta com Leroi Moore, da banda de Dave Matthews.